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Educadora financeira morre aos 42 anos em Florianópolis e marido desabafa: “ninguém é uma coisa só”

Francielli Rozar Müller, criadora do perfil "A mina do Dinheiro", morreu na manhã de sexta-feira (7), em Florianópolis. O marido, o médico Ney Müller, comunicou a morte nas redes sociais e revelou que ela convivia com depressão havia 26 anos.

Educadora financeira morre aos 42 anos em Florianópolis e marido desabafa: “ninguém é uma coisa só”
Foto: Reprodução
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A foto escolhida foi em preto e branco, com a ponte ao fundo, a mulher de vestido claro olhando para o lado. Embaixo, o laço cinza, o nome inteiro e duas datas: 14 de julho de 1984 e 7 de agosto de 2026. Foi assim, num aviso de pesar publicado no próprio perfil, que o médico Ney Müller contou aos seguidores que a mulher, a educadora financeira Francielli Rozar Müller, tinha morrido aos 42 anos, em Florianópolis.

O texto que acompanha a imagem não é o comunicado curto que costuma seguir esse tipo de arte. É uma carta. E é uma carta que faz o que quase ninguém faz em público: nomeia a doença.

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“Fran foi uma filha amada, uma irmã querida, uma esposa amorosa”, escreveu o médico. “Tinha uma conversa fácil e sorriso fácil. Mas ninguém é uma coisa só.”

ASSISTA AO VÍDEO

Num dos vídeos que publicou para os seguidores, Francielli aparece sentada, olhando para a câmera, e faz um pedido que hoje soa diferente. “Que 2026 me encontre mais calma, mais consciente e mais fiel a quem eu sou”, disse ela. “E que eu tenha coragem de me escolher.”

“Fran sofria de uma doença crônica há 26 anos, a depressão.”

Segundo o relato do marido, houve uma piora importante do quadro nos últimos quatro anos, e ela vinha enfrentando crises graves nesse período. A morte, informou ele, ocorreu na manhã de sexta-feira (7).

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Quem era Francielli

Francielli era conhecida no Instagram como “A mina do Dinheiro”, perfil em que falava sobre sair do endividamento e organizar a vida financeira. A biografia profissional dela contava uma trajetória de virada: formada em Administração com habilitação em Marketing, com formação em Coaching e Psicanálise, passou quase dez anos como servidora pública antes de montar as próprias empresas e se dedicar à educação financeira. No próprio site, resumia o caminho sem meias palavras, de endividada e consumista a investidora, e dizia estudar comportamento e mente humana desde 2014.

Era esse o assunto que a colocava diante da câmera quase todos os dias. Planilha, salário que evapora, gasto invisível, tarifa de banco, aplicativo de entrega. Conteúdo prático, de linguagem direta, para um público que virou audiência fiel.

O marido, Ney Müller, também é figura conhecida nas redes. Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, com CRM/SC 18.308, ele reúne mais de 240 mil seguidores em um perfil dedicado a informação de saúde baseada em evidências, com pós-graduações em Nutrologia, Medicina do Esporte e Prática Funcional e Integrativa. Atende em consultório em Florianópolis e também on-line, e é diretor técnico de uma clínica na capital.

Foi esse mesmo perfil, montado ao longo de anos para falar de saúde, que ele usou para escrever sobre a doença dentro de casa.

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O luto sem eufemismo

“Apesar do sofrimento dela durante todos esses anos, ela fez o melhor que ela conseguiu”, escreveu o médico. “Hoje nos deixa com saudades e com mais momentos bons do que ruins.”

Ao final, ele fez um único pedido aos leitores, e não foi por mensagem de apoio: “Se você puder rezar uma Ave Maria pela alma dela, agradeceria”. O velório aconteceu na mesma sexta-feira, das 18h às 22h, restrito a familiares e amigos. O casal tinha um filho pequeno.

A publicação foi tomada por mensagens de solidariedade, muitas delas de perfis conhecidos de Santa Catarina, e a decisão de nomear a depressão em vez de recorrer ao “morreu de forma repentina” acabou virando parte da repercussão. A Organização Mundial da Saúde classifica a depressão como uma das principais causas de incapacidade no mundo, e especialistas em saúde mental defendem há anos que falar da doença de forma responsável, com informação e sem detalhamento de método, ajuda mais do que o silêncio.

Nenhuma outra informação sobre as circunstâncias foi divulgada pela família, e o médico não deu novas declarações públicas desde o aviso de pesar.

Onde buscar ajuda

Quem estiver em sofrimento emocional pode ligar gratuitamente para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188, disponível 24 horas por dia, ou conversar pelo chat no site cvv.org.br. O atendimento é sigiloso. Também é possível procurar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), uma Unidade Básica de Saúde ou uma UPA. Em situação de emergência, o SAMU atende pelo 192.

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