Ela estava dentro de uma farmácia da Rua Lauro Muller, no centro de Lages, quando os gritos vieram da calçada. Do lado de fora, um homem corria atrás de crianças e adolescentes que acabavam de sair da escola. Agente da Polícia Científica, ela não esperou reforço: saiu da loja e foi atrás dele.
A cena aconteceu por volta das 12h45 desta terça-feira, 18, em plena área central da cidade, na hora em que os estudantes deixavam o colégio. Minutos depois, o homem estaria caído no asfalto, atingido por quatro disparos de arma de fogo.
Dois agentes na mesma corrida
Conforme o relato prestado à polícia, a agente ouviu os gritos, viu a correria dos estudantes e saiu em acompanhamento para impedir que o homem alcançasse as crianças. Ela vestia o uniforme da Polícia Científica.
Foi esse uniforme, no meio da rua, que chamou a atenção de um policial penal que passava pelo local dirigindo um carro. Ele contou que viu uma mulher fardada correndo atrás de um homem, parou o veículo, desceu e entrou na abordagem para ajudá-la.
Os dois alcançaram o suspeito juntos. O policial penal deu ordem para que ele colocasse as mãos sobre a cabeça. A ordem não foi obedecida.
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A aluna agarrada na calçada
Antes de ser alcançado, o homem já havia chegado a uma das estudantes. Uma adolescente de 17 anos relatou à polícia que saía da escola quando foi abordada, teve os braços apertados com força e recebeu um cuspe no rosto.
Segundo o relato dela, ele ainda a ameaçou, dizendo que ela não estava preparada para ver a própria mãe morrer. Uma amiga que estava ao lado foi empurrada. A adolescente afirmou que ele só se afastou quando percebeu que os dois agentes vinham em sua direção.
Um estudante de 16 anos, que voltava da aula pela mesma rua, contou ter visto o homem em fuga, perseguido por um homem e por uma mulher com uniforme da Polícia Científica, e depois presenciado a ordem para que ele levantasse as mãos.
O primeiro tiro foi na perna
Com a ordem ignorada, o homem partiu para cima do policial penal. O agente relatou que efetuou um disparo direcionado à perna, com o objetivo de contê-lo sem consequências maiores.
O tiro não interrompeu a ação. Mesmo atingido, o homem continuou avançando, e o policial penal relatou ter efetuado mais três disparos até cessar a agressão. Ele caiu ao solo em frente a um imóvel da Rua Lauro Muller.

Escolta dentro da ambulância
A Polícia Militar foi acionada pelo Copom 190 e encontrou o homem caído no local. A guarnição chamou o Samu, que fez o atendimento e o levou ao hospital, e acionou a Polícia Científica para os trabalhos periciais, além da Polícia Civil.
De acordo com o Sindicato dos Servidores da Polícia Científica de Santa Catarina (Sinpci), mesmo baleado e contido o homem permaneceu alterado, proferindo frases de cunho sexual, com relato de importunação contra profissionais do Samu. Por segurança, um policial militar precisou acompanhar o atendimento dentro da ambulância até o hospital.
“Não hesitou em agir”
Um dia depois da ocorrência, o Sinpci publicou uma nota pública parabenizando a agente pela atitude. O sindicato afirmou que, ao ouvir os gritos e perceber o homem correndo atrás de crianças e adolescentes que saíam da escola, ela não hesitou em agir e iniciou o acompanhamento buscando impedir que ele alcançasse as vítimas.
A atitude demonstra coragem, iniciativa e compromisso com a proteção da sociedade.
Na mesma nota, a entidade registrou o apoio do policial penal que passava pelo local durante a abordagem e disse ter orgulho de representar profissionais que não hesitam em agir quando a sociedade precisa.
O que vem agora
A Polícia Militar registrou o caso como confronto policial com autor ferido e informou que a autoria foi identificada. O homem alvejado é Michael Oliveira Medeiros, de 31 anos, natural de Santa Catarina, descrito nos relatos como aparentemente em surto no momento da ocorrência.
Todos os envolvidos foram conduzidos à delegacia para os procedimentos legais. As imagens de câmeras de segurança de residências da região não puderam ser recuperadas no momento do atendimento.
A apuração agora está com a Polícia Civil, que vai analisar as circunstâncias do confronto e o uso da força pelos agentes. O estado de saúde do homem baleado não foi divulgado.
































