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Eleições 2026

A poucos dias da eleição, Alckmin, vice de Lula, ressurge em palanque e ataca Flávio: “A mentira não vai vencer”

Em comício com Lula na zona leste de São Paulo, vice-presidente acusou Flávio Bolsonaro de mentir sobre a relação com Daniel Vorcaro; em 2017, o mesmo Alckmin dizia que Lula queria “voltar à cena do crime”

A poucos dias da eleição, Alckmin, vice de Lula, ressurge em palanque e ataca Flávio: “A mentira não vai vencer”
Foto: Reprodução
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que tenta a reeleição como vice na chapa de Lula (PT), ressurgiu no palanque a poucos dias da eleição e partiu pra cima do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na disputa pelo Palácio do Planalto. Do alto do carro de som em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, neste sábado (26), ele atacou a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e fechou com um recado: “A mentira não vai vencer”.

O ato, batizado de “O Brasil Pronto Pra Mais”, reuniu Lula, a primeira-dama Janja, o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Depois de uma caminhada pelas ruas do bairro, o grupo discursou do carro de som a oito dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

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Conhecido pelo estilo contido, Alckmin começou pelo roteiro tradicional de palanque. “É uma alegria voltar a São Miguel com o presidente Lula”, disse, lembrando a Universidade Federal em Itaquera, o Instituto Federal em Cidade Tiradentes e os conjuntos do Minha Casa, Minha Vida levados à região. “Com o Lula cresceu o emprego, cresceu a renda, caiu a inflação, melhorou a vida da nossa população”, afirmou.

Alckmin discursa ao lado de Lula em carro de som em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo (Reprodução/Redes sociais)

Na sequência, o vice fez campanha para os aliados paulistas. Chamou Marina de respeitada no mundo inteiro, lembrou que Simone Tebet comandou o Ministério do Planejamento e classificou as duas como “mulheres guerreiras” para representar São Paulo no Senado. Sobre Haddad, destacou a passagem pela Prefeitura de São Paulo e pelo Ministério da Educação, onde criou o ProUni.

Foi aí que o tom mudou. “Quero chamar a atenção de vocês para um fato”, disse Alckmin, antes de citar o nome de Flávio Bolsonaro e enfileirar as negativas do senador sobre Vorcaro, respondendo a cada uma com a mesma palavra, gritada para a multidão.

“Disse que não conhecia o Vorcaro. Mentira! Disse que não se encontrou com o Vorcaro. Mentira! Disse que não viajou no jatinho do Vorcaro. Mentira! Disse que não pediu dinheiro pro Vorcaro. Mentira! Disse que não recebeu dinheiro do Vorcaro. Mentira!”, disparou o vice-presidente, pausando entre cada frase para a resposta da plateia.

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Alckmin ainda fechou a lista com uma cobrança: “Disse que prestaria contas e nunca prestou”. O caso Master e a proximidade entre o senador e o banqueiro viraram um dos principais alvos da campanha petista nesta reta final.

Católico praticante, o vice aproveitou o nome do bairro para amarrar o ataque. “Mas nós estamos em São Miguel. São Miguel é o guerreiro da verdade. Ele luta contra a mentira e a mentira não vai vencer. Vai vencer a verdade”, afirmou. Na despedida, voltou ao discurso de campanha: “O Brasil que cresce, que gera emprego, que inclui as pessoas, que enxerga quem mais precisa. Por isso, é Haddad aqui e Lula lá”.

De “cena do crime” a escudeiro de Lula

A cena chama atenção por quem está no microfone. Em dezembro de 2017, ao assumir a presidência nacional do PSDB, o mesmo Alckmin disse que Lula queria voltar ao poder “depois de ter quebrado o Brasil”. “Ou seja, ele quer voltar à cena do crime”, afirmou na época.

A frase virou munição dos adversários assim que a aliança entre os dois começou a ser costurada. Em dezembro de 2021, o próprio Flávio Bolsonaro resgatou o vídeo nas redes. Em 2022, Jair Bolsonaro usou o trecho na propaganda eleitoral, e o TSE negou o pedido de direito de resposta contra o uso da fala. Alckmin rebateu dizendo que “antigas falas” estavam sendo usadas “para confundir o povo” e que muitos foram “iludidos por um julgamento que a própria justiça anulou”.

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A frase nunca saiu de circulação. Opositores seguem resgatando o vídeo de 2017 a cada aparição do vice ao lado de Lula, e o ataque em São Miguel reacendeu a comparação nas redes: o homem que dizia que Lula queria “voltar à cena do crime” é agora quem sobe no carro de som pra acusar o filho de Bolsonaro de mentir.

Alckmin não foi o único a mirar Flávio no palanque. Lula relacionou o adversário ao escândalo do Banco Master e à fraude nos descontos do INSS, e Haddad afirmou que o senador não presta contas sobre o dinheiro que teria recebido de Vorcaro.

A ofensiva acontece num cenário apertado. No último Datafolha, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Os dois concentraram agendas em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, nos últimos dias de campanha. O primeiro turno será no domingo, 4 de outubro. Se ninguém passar de 50% dos votos válidos, a disputa vai para o segundo turno, em 25 de outubro.

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