A Polícia Civil cumpriu, às 6h desta terça-feira (20), um mandado de busca e apreensão na casa do vereador Fabiano Mendes (Podemos), o Bano, em Três Barras, no Planalto Norte de Santa Catarina. A investigação apura a denúncia de que o vereador ofereceu R$ 10 mil para que Hamilton Mendes de Oliveira (Avante), o Índio, então pré-candidato a deputado federal, desistisse da candidatura e declarasse apoio ao ex-prefeito de Três Barras Eloi Quege (MDB), que também disputava uma vaga na Câmara dos Deputados. A ligação foi gravada pelo próprio Índio.
Segundo o jornalista Edinei Wassoaski, do portal JMais, em reportagem publicada nesta terça-feira (20), a medida partiu da 3ª Promotoria de Justiça de Canoinhas, e o Ministério Público já investigava a denúncia antes de a gravação vir a público. Não foi informado o que foi recolhido na casa do vereador.
O áudio, de quase dez minutos, vazou em setembro e foi revelado pelo JMais em reportagem de 18 de setembro. A conversa aconteceu quando Índio ainda era pré-candidato, antes das convenções partidárias. “Eu tenho dez conto pra te dar, homem do céu. Dez mil, homem”, diz o vereador. “E pra você desistir da tua campanha e dar uma mão pro Elói pra Federal.”
Na ligação, o vereador do Podemos diz que a ideia partiu de Quege, do MDB. “Doutor Elói conversou comigo e falou assim: ‘Viu, Bano, tem como cê conversar com o Índio lá, se de repente o Índio não me apoiava na minha campanha de deputado federal'”, conta o vereador, que diz ainda que Índio poderia sair candidato a vereador em Canoinhas no futuro, “apoiado financeiramente por ele”.
O vereador chega a ditar o vídeo que Índio deveria gravar: “Viu, eu, Índio, esse ano desisto de ser candidato”. E pede que o dinheiro não apareça: “Nem se fala em acerto, nada”. Índio responde que não pode falar em acerto porque “é crime eleitoral”.
Quando Índio pergunta se o valor pode ser maior (“Será que não pode pagar um pouco mais?”), Bano insiste nos R$ 10 mil e diz que tem pressa: “Eu preciso gastar esse dinheiro o quanto antes com você”. No fim da ligação, propõe um café: “Dê um grito aí que daí eu convoco Elói pra nós sentar”. Índio (Avante) disse que repassou os vídeos a uma pessoa que os levou ao Ministério Público.
Em vídeo gravado depois que a conversa vazou, Bano (Podemos) admite ter falado no dinheiro, mas diz que os R$ 10 mil eram para contratar Índio para fazer vídeos e publicidade. “No áudio, eu até errei, eu falei: ‘Eu te dou dez mil reais’, mas foi a forma que eu tive que explicar”, afirma. Ele diz que a gravação foi “um áudio planejado, estruturado por alguém”, que não pressionou Índio a desistir (“Era só uma conversa”) e que o dinheiro sairia do próprio bolso. O vereador não respondeu aos contatos do JMais.
Quege (MDB) nega ter autorizado a oferta. “Nunca mandei ele oferecer nada para o Índio desistir”, afirmou, segundo o JMais. Ainda segundo a reportagem de Edinei Wassoaski, Quege disse que só queria marcar um café com Índio e que Bano é um apoiador que agiu por conta própria.
Médico e ex-prefeito de Três Barras, Quege teve o registro de candidatura indeferido pelo TRE-SC e recorre ao TSE. Os 27.289 votos que ele recebeu no 1º turno, em 4 de outubro, aparecem como anulados até o julgamento do recurso. Segundo o Ministério Público Eleitoral, ele está inelegível até 2030 por condenação por crime contra a administração pública.
Fontes: reportagem de Edinei Wassoaski, no portal JMais e áudio revelado pelo portal JMais em 18 de setembro.
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