O vereador Leonel Camasão (PSOL) atravessou a rua por conta própria, foi até o grupo de manifestantes favoráveis à escola cívico-militar e tentou arrancar o megafone das mãos do ex-deputado estadual Bruno Souza (PL) durante o protesto em frente à Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, no bairro Roçado, em São José, na Grande Florianópolis. Nas imagens que circulam nas redes, o parlamentar aparece colando o próprio rosto no aparelho e mandando tirá-lo da frente dele.
Os vídeos gravados no local mostram que ninguém avançou na direção do vereador. Foi ele quem cruzou a via, entrou no meio dos apoiadores do modelo e passou a discutir cara a cara com quem estava com o megafone. O também candidato Felipe Barcellos (Missão), porta-voz do MBL em Santa Catarina, foi outro que confrontou o vereador na calçada. A Polícia Militar acompanhava a movimentação a poucos metros dali e não houve registro de agressão física.
Vereador em Florianópolis e natural de São Paulo, Camasão não tem mandato em São José, cidade onde fica a escola. Ele é candidato a deputado estadual e usou o episódio nas redes sociais logo depois do ato.
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A versão do vereador
Em publicação feita no mesmo dia, o parlamentar afirmou que estava no local para defender os estudantes. “Não temos medo de provocadores baratos. Não vamos recuar”, escreveu. Segundo ele, os alunos protestavam contra a “militarização repentina e antidemocrática da unidade” e teriam sido reprimidos na sexta-feira (21), quando um abaixo-assinado foi recolhido dentro da escola.
O vereador também disse que foi ao ato “em apoio aos estudantes” e que não deixou barato “pros extremistas que quiseram tumultuar e criar briga na manifestação”. Na sequência, emendou um pedido de voto: afirmou que, se eleito deputado estadual, seguirá “na luta CONTRA as escolas cívico-militares em Santa Catarina”.
Cadê os estudantes?
O ponto que mais chamou atenção de quem esteve no local, porém, foi outro. Segundo relatos de pessoas que acompanharam a manifestação, praticamente não havia alunos da própria escola no protesto. O grupo era formado majoritariamente por sindicalistas, políticos ligados à extrema esquerda e integrantes de movimentos sociais, muitos deles sem qualquer vínculo com a comunidade escolar do Roçado.
A queixa se soma à acusação feita por dois professores da unidade, que em vídeo afirmaram existir um movimento para arrastar estudantes menores de idade a manifestações sem o conhecimento das famílias.
Eles estão aliciando menores de idade para uma manifestação sem anuência das famílias.
A democracia que só vale quando ganha
O discurso de que a implantação do modelo teria sido “antidemocrática” também esbarra em um detalhe incômodo para quem o repete. A adesão da EEB Nossa Senhora da Conceição ao programa estadual passou por consulta à comunidade escolar, etapa exigida pelo modelo, e os pais dos alunos decidiram pela mudança. O resultado da votação foi favorável à escola cívico-militar.
Ou seja: os mesmos grupos que se apresentam como defensores da democracia e do debate são os que se recusam a aceitar o resultado da consulta que perderam. Em vez de disputar o próximo processo, a estratégia tem sido levar a briga para a porta da escola, com megafone, bandeiras vermelhas e políticos de fora do município.
Entenda o caso
O protesto foi o segundo capítulo tenso do caso. Mais cedo, o deputado estadual Alex Brasil (PL) arrancou um cartaz das mãos de manifestantes no mesmo ponto, episódio que também rendeu confusão e precisou da intervenção da Polícia Militar.
Tudo começou na última sexta-feira (21), quando estudantes levaram um abaixo-assinado contrário ao modelo para dentro da escola durante uma feira de ciências e denunciaram, em vídeo, que teriam sido reunidos em um dos blocos e impedidos de sair. Professores da unidade contestam a versão e afirmam que a escola tem duas entradas e que apenas um dos portões estava fechado, por rotina do recreio das turmas menores.
Em junho, a regional de São José do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-SC) já havia protocolado representação na 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público contra a implantação do modelo. O processo segue em análise, e a escola cívico-militar continua funcionando no Roçado.





















































