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Vereador do PSOL tenta arrancar megafone e provoca confusão em ato contra escola cívico-militar em SC

Leonel Camasão (PSOL), vereador em Florianópolis, atravessou a rua por conta própria e tentou tomar o megafone do ex-deputado Bruno Souza (PL) na porta da EEB Nossa Senhora da Conceição, no Roçado, em São José. Segundo quem esteve no local, quase não havia estudantes da escola no protesto.

Vereador do PSOL tenta arrancar megafone e provoca confusão em ato contra escola cívico-militar em SC
Foto: Reprodução
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O vereador Leonel Camasão (PSOL) atravessou a rua por conta própria, foi até o grupo de manifestantes favoráveis à escola cívico-militar e tentou arrancar o megafone das mãos do ex-deputado estadual Bruno Souza (PL) durante o protesto em frente à Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, no bairro Roçado, em São José, na Grande Florianópolis. Nas imagens que circulam nas redes, o parlamentar aparece colando o próprio rosto no aparelho e mandando tirá-lo da frente dele.

Os vídeos gravados no local mostram que ninguém avançou na direção do vereador. Foi ele quem cruzou a via, entrou no meio dos apoiadores do modelo e passou a discutir cara a cara com quem estava com o megafone. O também candidato Felipe Barcellos (Missão), porta-voz do MBL em Santa Catarina, foi outro que confrontou o vereador na calçada. A Polícia Militar acompanhava a movimentação a poucos metros dali e não houve registro de agressão física.

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Vereador em Florianópolis e natural de São Paulo, Camasão não tem mandato em São José, cidade onde fica a escola. Ele é candidato a deputado estadual e usou o episódio nas redes sociais logo depois do ato.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

A versão do vereador

Em publicação feita no mesmo dia, o parlamentar afirmou que estava no local para defender os estudantes. “Não temos medo de provocadores baratos. Não vamos recuar”, escreveu. Segundo ele, os alunos protestavam contra a “militarização repentina e antidemocrática da unidade” e teriam sido reprimidos na sexta-feira (21), quando um abaixo-assinado foi recolhido dentro da escola.

O vereador também disse que foi ao ato “em apoio aos estudantes” e que não deixou barato “pros extremistas que quiseram tumultuar e criar briga na manifestação”. Na sequência, emendou um pedido de voto: afirmou que, se eleito deputado estadual, seguirá “na luta CONTRA as escolas cívico-militares em Santa Catarina”.

Cadê os estudantes?

O ponto que mais chamou atenção de quem esteve no local, porém, foi outro. Segundo relatos de pessoas que acompanharam a manifestação, praticamente não havia alunos da própria escola no protesto. O grupo era formado majoritariamente por sindicalistas, políticos ligados à extrema esquerda e integrantes de movimentos sociais, muitos deles sem qualquer vínculo com a comunidade escolar do Roçado.

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A queixa se soma à acusação feita por dois professores da unidade, que em vídeo afirmaram existir um movimento para arrastar estudantes menores de idade a manifestações sem o conhecimento das famílias.

Eles estão aliciando menores de idade para uma manifestação sem anuência das famílias.

A democracia que só vale quando ganha

O discurso de que a implantação do modelo teria sido “antidemocrática” também esbarra em um detalhe incômodo para quem o repete. A adesão da EEB Nossa Senhora da Conceição ao programa estadual passou por consulta à comunidade escolar, etapa exigida pelo modelo, e os pais dos alunos decidiram pela mudança. O resultado da votação foi favorável à escola cívico-militar.

Ou seja: os mesmos grupos que se apresentam como defensores da democracia e do debate são os que se recusam a aceitar o resultado da consulta que perderam. Em vez de disputar o próximo processo, a estratégia tem sido levar a briga para a porta da escola, com megafone, bandeiras vermelhas e políticos de fora do município.

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Entenda o caso

O protesto foi o segundo capítulo tenso do caso. Mais cedo, o deputado estadual Alex Brasil (PL) arrancou um cartaz das mãos de manifestantes no mesmo ponto, episódio que também rendeu confusão e precisou da intervenção da Polícia Militar.

Tudo começou na última sexta-feira (21), quando estudantes levaram um abaixo-assinado contrário ao modelo para dentro da escola durante uma feira de ciências e denunciaram, em vídeo, que teriam sido reunidos em um dos blocos e impedidos de sair. Professores da unidade contestam a versão e afirmam que a escola tem duas entradas e que apenas um dos portões estava fechado, por rotina do recreio das turmas menores.

Em junho, a regional de São José do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-SC) já havia protocolado representação na 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público contra a implantação do modelo. O processo segue em análise, e a escola cívico-militar continua funcionando no Roçado.

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