A ausência de parte dos concorrentes virou tema do primeiro debate entre candidatos ao Senado por Santa Catarina, realizado na manhã desta segunda-feira (17), no estúdio da Rádio Som Maior, em Criciúma. Afrânio Boppré (PSOL) transformou as cadeiras vazias em acusação e colocou milícia e crime organizado no centro da campanha catarinense.
Ao comentar quem não apareceu, o candidato do PSOL disse que a falta tinha explicação e que a explicação era justamente o problema.
“É compreensível a ausência de outras candidaturas aqui. Até porque tem que se explicar. Tem que se explicar pelos seus vínculos com as milícias, seus vínculos com o crime organizado, e que nós aqui estamos prontos para não deixar que Santa Catarina receba aquilo que, de pior, o Rio de Janeiro tem.”
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Cobrança sem nome
Boppré não nomeou os ausentes e não detalhou a quais vínculos se referia, mas a menção ao Rio de Janeiro recai sobre a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL), que construiu toda a carreira política na capital fluminense e transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina no fim do ano passado. Afrânio Tadeu Boppré, de 65 anos, é economista e professor, está no quarto mandato como vereador de Florianópolis, foi vice-prefeito da Capital entre 1993 e 1997 e deputado estadual entre 2003 e 2007. Concorre pela federação Rede/PSOL.
O encontro foi o primeiro do ciclo eleitoral de 2026 a reunir os postulantes ao Congresso Nacional em Santa Catarina, com início às 7h30. A emissora do Sul do Estado tem tradição no formato: em 2022, promoveu o primeiro debate entre candidatos ao Senado em uma rádio catarinense, com sete nomes confirmados, e Boppré foi um dos participantes daquela edição.
Agenda em São Paulo
Carlos Bolsonaro cumpre agenda fora do Estado nesta segunda-feira. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele confirmou presença em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para a inauguração da Casa Bolsonaro, marcada para as 19h22 ao lado do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP). “Estarei no dia dezessete de agosto aí em Rio Preto para inaugurar a Casa Bolsonaro junto com o deputado Paulo Bilynskyj”, afirmou o candidato na gravação.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da campanha do candidato do PL sobre a acusação feita no debate.
Cobrança nas redes
Outro candidato ao Senado, o ex-deputado federal Décio Lima (PT), também usou as redes sociais para cobrar quem não apareceu. Em publicação, afirmou que houve fuga do primeiro debate da disputa em Santa Catarina e encerrou com uma pergunta: “Do que eles tem tanto medo?”.
A disputa pelas duas vagas
Carlos Nantes Bolsonaro, de 43 anos, foi vereador do Rio de Janeiro por sete mandatos consecutivos, entre 2001 e 2025, quando renunciou para se dedicar à pré-campanha catarinense. Mudou o domicílio eleitoral para São José, na Grande Florianópolis, e teve o nome oficializado em 1º de agosto, na convenção do PL realizada na Arena Opus. No discurso, ligou a candidatura à trajetória do pai: “Eu sou Jair Bolsonaro, corre nessas veias aqui o sangue de Jair Bolsonaro”.
O ausente é, hoje, o nome mais forte da disputa. Levantamento do Neokemp realizado em 22 e 23 de julho aponta o candidato do PL na liderança das intenções de voto para o Senado em Santa Catarina, com 27,7%.
O Estado terá pelo menos 13 candidatos na corrida por duas das três cadeiras catarinenses no Senado. Cada eleitor vota em dois nomes diferentes, e os dois mais votados são eleitos, sem segundo turno. O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral terminou em 15 de agosto.
Novos confrontos já estão no calendário. A OAB/SC e o LIDE Santa Catarina promovem um debate entre os candidatos ao Senado em 1º de setembro, às 19h, no auditório da Seccional, em Florianópolis, com transmissão ao vivo pela internet.














































