Uma foto deitado ao lado da mãe, uma música romântica ao fundo e a etiqueta de localização apontando para a Tijuca, no Rio de Janeiro. Foi assim que Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, abriu a noite de terça-feira (18) nas redes sociais. Sobre a imagem, ele escreveu: “Cheguei no melhor lugar do mundo! Amanhã é rua! Obrigado por tudo, mãe (@rogeriabolsonaro)”.
A publicação apareceu no perfil oficial do candidato, que já traz o número 222 da urna na foto de capa. O story não indica onde seria a agenda de rua anunciada para o dia seguinte.
Ao lado dele na cama está Rogéria Bolsonaro, primeira mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Carlos, Flávio e Eduardo. Ela também está na disputa deste ano, mas em outro estado: é candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, e recebeu do filho uma publicação de apoio quando a candidatura foi anunciada.
O registro contrasta com o discurso que o próprio Carlos construiu em Santa Catarina desde que decidiu disputar o Senado pelo estado. Em junho, ele publicou um vídeo em que dizia não ter nascido em solo catarinense, mas ter renascido aqui e encontrado paz por aqui.
Carlos Bolsonaro nasceu em Resende, no interior fluminense, e fez toda a carreira política no Rio. Foi eleito vereador da capital pela primeira vez em 2000, aos 17 anos, e permaneceu na Câmara por sete mandatos seguidos. Em 2024, foi o vereador mais votado da cidade. Renunciou ao cargo em dezembro de 2025 e transferiu o domicílio eleitoral para São José, na Grande Florianópolis, com a candidatura ao Senado já traçada.
A transferência virou alvo de questionamento no Ministério Público Eleitoral, que arquivou o procedimento em julho. Carlos comemorou o arquivamento em vídeo e atribuiu a denúncia ao que classificou como medo da força da direita no estado.
O lugar onde renasceu
A convenção que oficializou o nome dele ocorreu em 1º de agosto, na Arena Opus, em São José, ao lado da deputada federal Caroline de Toni (PL), que disputa a outra vaga catarinense. No discurso, Carlos ancorou a candidatura na figura do pai, condenado e em prisão domiciliar.
Eu sou Jair Bolsonaro, corre nessas veias aqui o sangue de Jair Bolsonaro
Duas semanas depois, a primeira peça publicitária da campanha chamou atenção pelo que não trazia. O texto de estreia fala em recolocar o Brasil nos trilhos, em equilíbrio entre os Poderes e em defesa da Constituição, sem citar Santa Catarina nominalmente uma única vez. A única menção local é o pedido de apoio “de cada catarinense que acredita que ainda é possível reconstruir este país”.
As cadeiras vazias
A ausência tem sido o principal ponto de desgaste do candidato no estado. Carlos não compareceu ao primeiro debate entre os postulantes ao Senado catarinense, organizado por uma rádio de Criciúma. No mesmo dia, cumpria agenda em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, no lançamento de um espaço de articulação do PL batizado de Casa Bolsonaro.
O segundo debate, marcado para domingo (23), em Florianópolis, também será sem ele. A ausência foi confirmada nesta semana, e a deputada Caroline de Toni alinhou que só participará dos encontros de que Carlos participar, o que esvazia a chapa do PL nos dois primeiros confrontos públicos da disputa estadual.
Líder e mais rejeitado
Nas pesquisas, Carlos Bolsonaro aparece com o cenário mais polarizado da disputa catarinense. Levantamento divulgado no fim de julho apontou o candidato na liderança do primeiro voto, com 27,7% das intenções, e ao mesmo tempo com a maior rejeição entre todos os nomes testados, 32,1%. Em pesquisa de março, metade dos eleitores catarinenses ouvidos classificou a candidatura como oportunismo político contrário aos interesses do estado.
A campanha para o Senado segue até outubro. Santa Catarina elege dois senadores neste ano.








































