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Rafael Greca declara apoio a Lula em sarau e diz a músicos que, sem o petista, “não vai ter Lei Rouanet”

Ex-prefeito de Curitiba, que foi candidato a vice na chapa apoiada por Ratinho Junior, contraria o MDB do Paraná e diz que Lula tem a "reta intenção de servir aos pobres"

2º turnoApuração do 2º turno, domingo às 17hFlávio × Lula voto a voto, no Brasil, em SC, nas 5.570 cidades e no exteriorAcompanhar →
Rafael Greca declara apoio a Lula em sarau e diz a músicos que, sem o petista, "não vai ter Lei Rouanet"
Foto: Reprodução
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Rafael Greca discursa em sarau com músicos em Curitiba, na noite de segunda-feira (19). Vídeo: Reverbero/Reprodução

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) pegou o microfone em um sarau com músicos em Curitiba, na noite de segunda-feira (19), e defendeu o voto no presidente Lula (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O vídeo, de quase cinco minutos, circula nas redes sociais desde então.

Greca admitiu que Lula “já não tá meio dando no gasto”, mas disse que “pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”. Em seguida, se dirigiu a uma mulher da plateia: contou que ela “relutou” quando ele falou em votar no Lula e avisou que o marido dela, produtor, “não vai comer mais quando acabar a Lei Rouanet”.

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Sem dizer o nome de Flávio, o ex-prefeito afirmou que o grupo adversário quer “calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, para só servir aos que querem as nossas terras raras”. E completou: “Eles não querem a música. Eles não querem o financiamento da cultura. Eles não querem museus. Eles não querem universidades. Eles não querem escolas públicas. O que que eles querem? Eles querem acumular tesouros que a traça corrói e que o verme devora”.

Greca contou que tinha acabado de sair da missa e que se sentiu obrigado a falar: “Eu não posso me calar, porque se eu me calasse, as pedras falariam”. Pediu a Nossa Senhora Aparecida que inspire “as pessoas pra não votarem por ideologia” e usou a imagem do gaiteiro: “Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro pra tocar precisa das duas mãos, a direita e a esquerda”.

O discurso vai na contramão dos aliados de Greca. Ele foi candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex (PSD), apoiada pelo governador Ratinho Junior (PSD) e derrotada por Sergio Moro (PL) no primeiro turno. Ratinho e Sandro declararam apoio a Flávio, e o MDB do Paraná, presidido pelo deputado federal Sérgio Souza, também fechou com o candidato do PL. Procurado nesta terça-feira (20) pela repórter Julia Moreira, da Tribuna do Paraná, Greca respondeu que não vai se manifestar no momento.

Rafael Greca em dois tempos: sorridente ao lado de Jair Bolsonaro e de microfone na mão. Na reta final do 2º turno, o discurso agora é outro

A defesa de Lula também contrasta com o passado de Greca ao lado de Jair Bolsonaro. Em 23 de outubro de 2018, a cinco dias do segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), o então prefeito, pelo PMN, respondeu a uma seguidora que tinha escrito no Facebook que “a nossa bandeira não será vermelha”. A resposta dele: “Curitiba está crescendo, e será melhor ainda se o capitão #B17 ajudar”. Na época, a prefeitura negou à Banda B que fosse uma declaração de voto.

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Em 10 de maio de 2019, Greca recebeu Bolsonaro, já presidente, na primeira visita dele a Curitiba depois da eleição, para a ativação do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública da Região Sul. Segundo a Gazeta do Povo, o prefeito saudou as autoridades com entusiasmo, cumprimentou até a irmã do presidente, Vânia, e chamou o general Augusto Heleno de “ministro de Curitiba”.

A relação azedou em 2022, quando Greca declarou apoio a Alvaro Dias (Podemos) para o Senado e o deputado Paulo Martins (PL), candidato de Bolsonaro à vaga, o acusou de traição, segundo o colunista Karlos Kohlbach, na Banda B. Em setembro de 2023, Greca já elogiava Lula em público pelo discurso na ONU contra a fome, como registrou o Blog do Esmael: “Com imensa alegria e cheios de orgulho, pelo empenho do presidente Lula nas Nações Unidas, falando contra a fome no mundo”.

Em julho de 2024, ainda segundo Kohlbach, Greca criticou sem citar nomes quem banalizou a Covid-19 “desqualificando-a de gripezinha”. No mesmo mês, porém, teve de aceitar Paulo Martins como vice do sucessor que escolheu, Eduardo Pimentel (PSD), numa costura de Ratinho Junior com Bolsonaro. Na “reunião da paz” com Martins no Palácio Iguaçu, Greca “até elogiou Bolsonaro pela ajuda milionária para a gratuidade do transporte dos idosos em Curitiba”, contou um dos presentes à coluna. Pimentel e Martins venceram a eleição daquele ano.

Greca governou Curitiba por três mandatos, de 1993 a 1996 e de 2017 a 2024. O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro é no domingo (25).

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Fontes: reportagem de Julia Moreira, da Tribuna do Paraná, na Gazeta do Povo, Banda B, em 23/10/2018, Gazeta do Povo, em 10/05/2019, coluna de Karlos Kohlbach, na Banda B e Blog do Esmael.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/rafael-greca-declara-apoio-lula-sarau-lei-rouanet

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