Um adolescente de 17 anos ficou cerca de 20 minutos escondido no banheiro feminino de uma universidade de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, e filmou pelo menos duas mulheres sem autorização. O caso foi na quinta-feira (8). O jovem foi localizado pela Polícia Militar no terminal de ônibus da cidade, levado à delegacia e liberado depois de prestar depoimento com um responsável legal.
Segundo a Polícia Civil, uma das vítimas estranhou a movimentação dentro do banheiro e acionou a equipe de segurança da instituição. Ao revisar as imagens do sistema de monitoramento, os seguranças constataram que o adolescente já tinha deixado o campus, e as buscas começaram na região. O nome da universidade não foi divulgado.
O jovem foi encontrado dentro do terminal de ônibus e encaminhado à delegacia. Em depoimento, conforme apuração do repórter Marcelo Macieski, do ND Mais, em reportagem publicada nesta sexta-feira (9), ele admitiu ter feito ao menos duas gravações e disse que apagou os arquivos da galeria e da lixeira do celular.
O aparelho foi apreendido e encaminhado à Polícia Científica, que vai tentar recuperar o conteúdo apagado. O material deve instruir o procedimento, segundo a Polícia Civil. As vítimas não foram identificadas.

Responde em liberdade
O adolescente foi autuado por ato infracional análogo ao crime de registro não autorizado da intimidade sexual, previsto no artigo 216-B do Código Penal. A lei pune quem fotografa ou filma cena de nudez ou de caráter íntimo sem autorização de quem aparece nas imagens, com pena de seis meses a um ano de detenção e multa para adultos.
Por ter menos de 18 anos, ele responde pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Depois de depor acompanhado de um responsável, foi liberado e vai responder ao procedimento em liberdade. Segundo a Polícia Civil, a medida segue o que prevê o estatuto, já que o caso não envolveu violência nem grave ameaça direta a alguém. As informações do caso foram repassadas pelo delegado Márcio Neves.
Ainda segundo a reportagem de Marcelo Macieski no ND Mais, não há informação sobre medidas internas adotadas pela universidade até a publicação desta matéria. O Jornal Razão não teve acesso ao posicionamento da instituição.
Segundo caso em universidade de SC na mesma semana
O episódio de Criciúma aconteceu um dia depois de um caso parecido em Joinville. Na tarde de quarta-feira (7), uma aluna de Medicina da Univille flagrou um homem espiando por baixo da cabine enquanto ela usava o banheiro feminino do Bloco A, no campus Bom Retiro. Colegas cercaram o suspeito e o levaram até a segurança da universidade, mas ele deixou o campus antes da chegada da Polícia Militar e não foi identificado.
Os estudantes afirmam que o vigilante liberou o homem com a justificativa de que ele “estava no banheiro errado”. A Univille disse que apura a conduta da equipe de segurança, que a aluna recebeu acompanhamento psicossocial e que vai entregar as imagens das câmeras às autoridades mediante pedido formal. A universidade tratou o caso como importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal.
Em março, outro caso do tipo foi registrado em Balneário Camboriú. Um estudante de 23 anos foi flagrado em pé sobre o vaso sanitário, sem sapatos, filmando uma aluna no banheiro feminino de uma faculdade. Conforme reportagem do ND Mais na época, o celular dele tinha vídeos de outras mulheres, inclusive da coordenadora do curso, e o jovem disse à polícia que as imagens eram “para uso pessoal”.
O caso de Criciúma segue em apuração pela Polícia Civil. O resultado da perícia no celular vai definir se outras vítimas serão identificadas.
As cenas do vídeo desta reportagem são uma simulação, com imagens geradas por inteligência artificial. A fachada do Fórum de Criciúma é fotografia de Alcimar Luiz Callegari (Wikimedia Commons).
Fonte: reportagem de Marcelo Macieski, no ND Mais.
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