A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta semana a investigação sobre o ataque que vitimou o cão comunitário Orelha, ocorrido na madrugada de 4 de janeiro de 2026, por volta das 5h30, na Praia Brava, em Florianópolis. Orelha foi encontrado com lesões graves na cabeça e veio a óbito no dia seguinte, em uma clínica veterinária. O caso gerou forte comoção social e levou à mobilização de forças de segurança, culminando no pedido de internação de um adolescente suspeito de ser o autor do crime.
Reconstrução da madrugada do ataque
Segundo a Polícia Civil, o adolescente investigado deixou o condomínio onde mora às 5h25 da manhã, sozinho, e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga. Essa discrepância de horários foi considerada uma das principais contradições em seu depoimento, já que ele havia afirmado que não saíra do condomínio naquele período.
O inquérito aponta que o cão Orelha foi agredido na calçada em frente à praia, com uma pancada contundente na cabeça — provavelmente um chute ou golpe com objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa. O exame clínico-veterinário, realizado no dia 5 de janeiro, confirmou inchaço grave no lado esquerdo da face, fraturas na mandíbula e maxilar, sangramento bucal e nasal, além de sinais neurológicos severos. Mesmo após tentativa de estabilização, Orelha não resistiu.
Imagens, softwares e contradições
Para montar o quebra-cabeça da investigação, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de imagens de segurança de 14 equipamentos distintos. Além disso, foram utilizadas tecnologias avançadas de geolocalização de celulares, com softwares franceses e israelenses que confirmaram a presença do adolescente no local do crime.
O controle de acesso do prédio, as roupas usadas no momento (moletom e boné rosa), além de depoimentos de testemunhas e o cruzamento de horários com câmeras de segurança foram decisivos. Um dos familiares do investigado tentou esconder os objetos na volta do adolescente ao Brasil, no dia 29 de janeiro — data em que foi interceptado no aeroporto ao retornar de uma viagem internacional.
Viagem internacional e risco de fuga
A Polícia teve o desafio adicional de evitar o vazamento de informações enquanto o suspeito estava fora do país. A saída do Brasil ocorreu exatamente no mesmo dia em que os investigadores identificaram os suspeitos. A preocupação era de que o adolescente descartasse provas no exterior, como o celular, o que dificultaria a responsabilização criminal.
Encaminhamento à Justiça
Após o depoimento do adolescente — no qual se contradisse diversas vezes — e diante da gravidade do crime, a Polícia Civil solicitou sua internação provisória, o que equivale a uma prisão em regime fechado no caso de menores de idade. O Ministério Público de Santa Catarina recebeu o inquérito com todos os elementos colhidos, incluindo os dados de celulares recuperados, e deve agora avaliar o pedido.
Três adultos também foram indiciados por tentativa de coação a testemunhas. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), ambas da capital.
O que levou a Polícia ao autor:
- 1. Testemunhas presenciais e do entorno
- 2. Imagens de câmeras confirmando movimentações
- 3. Geolocalização do celular via software francês
- 4. Contradições no depoimento do adolescente
- 5. Boné e moletom usados no momento do crime
- 6. Tentativa de esconder objetos na volta ao Brasil
- 7. Análise do controle eletrônico do condomínio
- 8. Recuperação de dados apagados por software israelense
- 9. Reconhecimento da localização via mapa de câmeras
- 10. Pressão familiar sobre testemunhas
O caso segue agora sob análise do Judiciário. A sociedade e entidades de proteção animal aguardam os próximos desdobramentos com expectativa de responsabilização efetiva dos envolvidos no crime que tirou a vida de Orelha.