Criminosos passaram a usar redes sociais para atacar a Polícia Militar de Santa Catarina após a morte de Aldonei Paim, apontado como dono do Morro do Caju, no bairro Saco Grande, em Florianópolis. Em postagens e áudios enviados por integrantes do grupo responsável pelo tráfico naquela localidade, eles acusam a PMSC de “covardia” e tentam colocar em dúvida a versão oficial do confronto.
A morte de Paim ocorreu durante uma ação policial na comunidade. Segundo a Polícia Militar, houve confronto armado, e o criminoso foi neutralizado. Outros suspeitos também teriam trocado tiros com as guarnições, e a polícia apura se há mais envolvidos feridos.
Após a ocorrência, aliados e simpatizantes do criminoso passaram a publicar mensagens afirmando que ele teria sido preso vivo, agredido e executado. Em uma das publicações, um jovem que mantém em seu perfil do Instagram fotos portando fuzil e vídeos fazendo “a ronda” no morro, afirma que a polícia teria “forjado” a cena do confronto. Essas alegações, segundo a PMSC, não condizem com os fatos confirmados no local.
O Jornal Razão também foi ameaçado pelos criminosos. Em uma das gravações, o mesmo jovem ameaça diretamente quem divulgou imagens da ocorrência e exige que postagens sejam retiradas das redes, afirmando que “vai acontecer outras coisas” se continuarem expondo o caso. O conteúdo está sob análise das autoridades.
Além disso, o Jornal Razão teve acesso a vasto material probatório reunido ao longo dos anos contra Aldonei Paim. Os registros incluem relatórios de inteligência, ocorrências policiais e imagens que apontam sua atuação como liderança do tráfico ligada ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o controle armado do Morro do Caju.
Entre os materiais está um vídeo gravado em 2018, no qual Aldonei Paim aparece confrontando policiais militares durante uma ação no morro. Nas imagens, ele profere ameaças diretas às guarnições, afirma que também estava armado e diz que, caso a polícia entrasse na comunidade, “ia dar confusão”, demonstrando postura de enfrentamento às forças de segurança.
Para a Polícia Militar, as manifestações nas redes fazem parte de uma tentativa de desinformação e intimidação, comum após ações contra lideranças do crime organizado. A corporação reforça que a operação seguiu os protocolos legais e que todos os procedimentos estão sendo devidamente apurados.
A área do confronto foi isolada, e a Polícia Científica realizou os levantamentos periciais. A Polícia Civil deve analisar tanto a dinâmica da ocorrência quanto as ameaças divulgadas após a morte do criminoso, que podem gerar novos inquéritos.
A PMSC reafirma que seguirá atuando no combate ao crime organizado em Florianópolis, especialmente em áreas dominadas por facções, e que não recuará diante de tentativas de intimidação ou ataques virtuais.



























