A equipe da empresa de monitoramento chegou com os equipamentos na mão e não teve onde ligar. Não havia sobrado uma tomada no imóvel da Avenida Nereu Ramos, em Balneário Piçarras, onde o Yonkou Sushi prepara sua nova unidade. A instalação do sistema de segurança estava agendada para aquela manhã, contratada às pressas depois do primeiro roubo. Os criminosos voltaram antes.
Foi o segundo furto no mesmo endereço em menos de três dias, e o restaurante ainda nem chegou a inaugurar. Na madrugada de sexta para sábado, os invasores levaram praticamente toda a fiação elétrica do prédio, arrancaram tomadas, cortaram cabos e retiraram até o quadro de energia. O imóvel fica perto da ponte que liga Balneário Piçarras a Penha e segue em obras.
“Não ficou nada no restaurante, não ficou uma tomada, a gente não tem uma tomada”, diz o responsável pelo estabelecimento em vídeo gravado dentro do imóvel, mostrando parede por parede o resultado da invasão. Nas imagens aparecem pontos de energia vazios, fios cortados rente ao reboco e o painel elétrico arrancado.
Segurança seria instalada no mesmo dia
A ironia do episódio está no calendário. Depois da primeira invasão, na quarta-feira, o comércio contratou na hora uma empresa de monitoramento e marcou a instalação de alarmes e câmeras. Quando os técnicos apareceram, o serviço não pôde ser feito.
Os rapazes da segurança não conseguiram fazer a instalação hoje porque não tem um ponto de energia pra eles ligarem.
No primeiro ataque, o estabelecimento informou que buscava imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar o responsável e prometeu reforçar todo o sistema de alarme e monitoramento. Naquele momento, o tom ainda era de reação: o negócio afirmou publicamente que o prejuízo não faria a equipe desistir da inauguração.
Três dias depois, o discurso mudou. “Confesso que hoje está difícil encontrar forças. A gente vinha correndo contra o tempo, colocando a mão na massa e fazendo de tudo para realizar esse sonho, e ver tudo isso acontecer novamente dói demais”, escreveu o estabelecimento nas redes sociais. No vídeo, a frase é mais seca: “Acho que dessa vez o inimigo venceu a gente”.
Entrada pelo telhado
Segundo relatos de quem esteve no local, os criminosos entraram pelo telhado, puxaram a fiação de ponta a ponta e ainda defecaram na área da entrada, onde ficaria o caixa. O prejuízo é estimado em mais de R$ 40 mil, valor que inclui material elétrico, equipamentos e os estragos na estrutura recém-reformada.
O comerciante afirmou que não tem condições de arcar com o rombo neste momento e lembrou que sustenta uma família com criança pequena. “Isso é pra vocês verem como é empreender no Brasil, aprovação atrás de aprovação, só que eu acho que dessa vez não vai dar”, disse. A unidade estava a poucas semanas de abrir as portas, antes da temporada de verão.
A Polícia Militar foi acionada e o boletim de ocorrência foi registrado. O caso segue sob apuração, e não há informação sobre suspeitos identificados até o momento.
Moradores cobram policiamento
Nas redes sociais, moradores da região reagiram cobrando presença policial e apontando a receptação como combustível do problema. Vários comentários repetiram a mesma tese: enquanto houver comprador para cobre e fiação em depósitos de ferro-velho, o furto de material elétrico em obras e comércios fechados não vai parar. Outros relataram episódios idênticos em Penha e no entorno na mesma semana.
Apesar do tom de derrota no vídeo, o estabelecimento deixou uma última linha no comunicado publicado depois do segundo roubo: “Não sabemos ainda como, mas vamos tentar nos reerguer mais uma vez”. Quem tiver informações que ajudem a identificar os responsáveis pode procurar a Polícia Militar pelo 190.





































