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“Inocentes no meio da obsessão de um homem pela ex”: famílias confirmam três mulheres mortas em Joinville

Lidia Licke, funcionária do restaurante, morreu no sábado (12), e Letícia das Graças Teodoro, de 24 anos, nesta terça-feira (15), 17 dias depois do ataque. A mãe dela, Alice das Graças Teodoro, de 54 anos, dona do estabelecimento, morreu em 6 de setembro. Nenhuma das três tinha relação com o motivo que levou o agressor ao local.

Lidia Licke, Letícia das Graças Teodoro e Alice das Graças Teodoro, mortas após incêndio criminoso em restaurante de Joinville
Reprodução/Redes sociais
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O incêndio criminoso ateado em um restaurante do bairro Fátima, em Joinville, no dia 29 de agosto, matou três mulheres. Nenhuma delas tinha ligação com o motivo que levou o agressor até ali. A última morte foi confirmada pela família na manhã desta terça-feira (15): Letícia das Graças Teodoro, de 24 anos, que passou 17 dias internada. Antes dela morreram Lidia Licke, funcionária do restaurante, no sábado (12), e Alice das Graças Teodoro, de 54 anos, dona do estabelecimento e mãe de Letícia, em 6 de setembro.

Como o Jornal Razão chegou à terceira morte

Pouco depois de o Jornal Razão publicar a morte de Letícia, nesta terça-feira, a reportagem foi informada de que havia mais uma vítima fatal do mesmo ataque: Lidia Licke, funcionária do restaurante, morta no sábado (12).

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A família de Lidia não queria, num primeiro momento, que o nome dela fosse divulgado. O Jornal Razão respeitou a decisão e aguardou. Horas depois, a filha dela autorizou a publicação, por entender que a mãe era muito conhecida na cidade e que as pessoas precisavam saber o que tinha acontecido. Só então o nome entrou na reportagem.

O quadro de Letícia era o mais grave

Letícia teve grande parte do corpo queimada quando o fogo tomou o salão e seguiu na UTI, intubada e sedada, sem previsão de alta, desde o sábado do ataque. Morreu nove dias depois da mãe.

Alice ficou oito dias internada e não resistiu. Era dona do Alho e Menta, levantado com o próprio trabalho, e estava no comércio naquela manhã de sábado como em qualquer outro dia. Ela ficou entre as pessoas mais atingidas porque não fugiu: permaneceu no meio das chamas tentando tirar dali os funcionários presos com ela.

Nas redes sociais, Leonardo Teodoro, filho de Alice e irmão de Letícia, publicou uma homenagem à irmã. “Letícia partiu deixando um vazio imenso em nossos corações. Sua presença, seu jeito único e todo o amor que sempre espalhou ficarão para sempre em nossas lembranças”, escreveu.

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O homem procurava a ex-companheira e nenhuma das três era alvo

Longino Dias Batista, de 48 anos, chegou ao restaurante na manhã de 29 de agosto procurando a ex-companheira, cozinheira do estabelecimento, de 52 anos, inconformado com o fim do relacionamento. Ela não estava no expediente. Ao ser informado disso, ele arrombou a grade que mantinha o comércio fechado e entrou carregando um galão de gasolina de 10 litros e um fósforo. Imagens de câmeras de segurança mostram o percurso dele, a pé e com o galão na mão, até a porta do estabelecimento.

Cinco pessoas estavam dentro do imóvel. Longino fechou a grade de acesso, impediu que o grupo saísse e começou a espalhar o combustível pelo salão. Funcionários e testemunhas perceberam o fósforo na mão dele, partiram para cima e chegaram à luta corporal para evitar que o fogo começasse. Não conseguiram. O incêndio tomou o restaurante em segundos.

Com a saída da frente bloqueada, duas pessoas quebraram a janela do banheiro e escaparam pelos fundos, feridas e com queimaduras. As outras três só saíram quando moradores da região arrancaram a grade e abriram passagem. Cinco vítimas foram levadas ao hospital. Longino permaneceu no prédio em chamas e morreu carbonizado no local.

Outros dois feridos eram da mesma família

O marido de Letícia e o padrasto dela também se feriram no incêndio. O marido recebeu alta hospitalar quatro dias depois do crime. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde do marido de Alice.

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Ele já tinha esfaqueado a mesma mulher em 2024

Em 2024, Longino invadiu a casa onde a ex-companheira dormia com as netas, arrombou a porta com um chute e a atingiu com uma facada nas costas. O filho dela, que mora na casa da frente, ouviu os gritos, correu para defender a mãe e também foi esfaqueado nas costas ao se colocar entre os dois. Ele foi preso e passou a responder por tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio. Depois, foi colocado em liberdade.

Havia medida protetiva em favor da mulher, segundo a Polícia Civil. Ela chegou a mudar de endereço para se afastar do ex-companheiro, e ainda assim ele seguiu atrás dela, até chegar ao restaurante onde trabalhava. Pedreiro, natural de Anita Garibaldi, no Planalto Serrano, e com endereço cadastrado no bairro Rio Branco, em Brusque, Longino acumulava 44 passagens policiais até a manhã do ataque.

O que a investigação apura agora

A Polícia Científica periciou o restaurante depois que o fogo foi controlado e encontrou marcas de sangue e a carteira do agressor no interior do estabelecimento. Os laudos instruem o inquérito da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, responsável pelo caso, que apura a origem do combustível, a dinâmica do ataque e a extensão dos danos.

Com a confirmação da morte de Letícia, o ataque de 29 de agosto soma três mulheres mortas, além do próprio autor, que morreu no local. A mulher que ele procurava não estava no restaurante e não se feriu. A identificação dela não é divulgada por se tratar de caso com características de violência doméstica.

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