Na noite desta segunda-feira (26), a Polícia Militar prendeu um idoso de 68 anos no bairro Santa Lídia, em Penha, suspeito de tentar aliciar quatro meninas no bairro Gravatá, em Navegantes.
Abordagem gerou revolta
Conforme relatos registrados em boletins de ocorrência, ele teria se aproximado das crianças dirigindo pela contramão na Rua Valdemar Bornhausen, próximo ao Shopping de Verão.
De acordo com as informações apuradas, o homem teria oferecido R$ 50 supostamente em troca de “carinho”. As crianças relataram que ele chegou a entregar R$ 2 e prometeu o restante caso aceitassem a proposta.
Uma das meninas contou que o idoso segurou seu braço para impedir que ela saísse do local. Outra relatou que ele segurou sua mão, encostou em seu peito e tentou conduzi-la para a região inferior do corpo.
Populares flagraram e denunciaram
Uma mulher percebeu a movimentação estranha e foi questioná-lo. O suspeito respondeu que “apenas estava olhando as meninas brincarem”. Outra testemunha conseguiu fotografar a traseira do carro dele.
Com base nas imagens, a Polícia Militar localizou rapidamente o veículo e realizou a abordagem no endereço do suspeito.
Durante a abordagem, ele alegou que estava apenas mexendo no celular e que, supostamente, teriam sido as crianças que se aproximaram. O homem negou ter oferecido dinheiro ou qualquer tipo de contato físico.
Ele foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Itajaí, onde foram adotados os procedimentos cabíveis.
Outros relatos anteriores no bairro
Após o caso ganhar repercussão, moradores relataram que o mesmo homem já havia sido citado em um episódio semelhante no bairro Santa Lídia.
De acordo com uma mãe, ele teria chamado sua filha para dentro de uma caminhonete, o que assustou a criança, que correu para perto dos adultos. Populares perceberam a movimentação e, quando foram intervir, o homem fugiu rapidamente do local e não foi mais visto na região desde então.
Sobrinha relata histórico de abusos
Uma mulher, hoje com 47 anos, procurou o Jornal Razão e relatou que também foi vítima do suspeito na infância, quando vivia no Paraná.
Ela afirmou que, na época, sofreu situações recorrentes de violência, chegando a desenvolver crises de pânico. Segundo ela, a própria mãe teria sido conivente com os episódios, além de apontar que outro tio, irmão do suspeito, também estaria envolvido.
A vítima contou que, após acompanhamento psicológico, recebeu orientação médica para se afastar da família e se mudou para Santa Catarina.
O homem, por sua vez, também se mudou para o litoral catarinense, onde passou a atuar na área hoteleira em Penha.
Novo episódio em 2024
A mulher ainda relata que, no ano passado, viveu um novo episódio de medo. Segundo ela, o suspeito descobriu seu endereço e apareceu de surpresa na residência, em Balneário Piçarras, aparentemente sob efeito de álcool.
Ela estava no portão com a filha quando, de forma inesperada, ele teria empurrado ambas para dentro do quintal e trancado o portão.
Durante a conversa, ele a questionava sobre o motivo de ter se afastado da família. A resposta foi direta: “Por tudo o que você fez comigo na infância”.
Antes de ir embora, ele ainda teria tentado beijá-la à força. A mãe da vítima precisou intervir, expulsou o homem da residência e, logo depois, foram até a delegacia.
O boletim foi registrado e, nesta terça-feira (27), as vítimas confirmaram que irão seguir com o processo judicial.
“Essa foi a única forma de proteção que encontrei. Porque nem a própria família acreditava na gente”, desabafou.
O caso segue sendo apurado pela Polícia Civil.

































