Logo Jornal Razão
Publicidade

Influencer que debochou de atendente de drive-thru vira alvo da Polícia Civil e fecha perfil em Blumenau

A trabalhadora exposta no vídeo registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil de Blumenau já lavrou termo circunstanciado contra a influenciadora, que fechou o perfil após a repercussão. A delegacia poderá adotar outras medidas.

Influencer que debochou de atendente de drive-thru vira alvo da Polícia Civil e fecha perfil em Blumenau
Foto: Reprodução
Publicidade

O perfil que exibia a cena do sorvete devolvido pela janela do drive-thru amanheceu com cadeado. A conta, até então aberta ao público e apresentada como de influenciadora, foi trancada depois que o vídeo gravado em Blumenau (SC) rodou o estado e virou caso de polícia. Quem procura o material agora esbarra em uma solicitação de seguir. Quem procurava só o entretenimento acabou de descobrir que a brincadeira tem endereço, protocolo e delegacia.

O Jornal Razão apurou que a trabalhadora exposta na gravação registrou boletim de ocorrência contra a autora do vídeo. A partir do registro, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Blumenau, que já lavrou termo circunstanciado contra a influenciadora. A apuração segue em andamento, e a delegacia poderá adotar outras medidas conforme o avanço do procedimento.

Publicidade

O termo circunstanciado é o instrumento previsto na Lei 9.099/95 para infrações de menor potencial ofensivo, aquelas cuja pena máxima não passa de dois anos. Diferente do flagrante comum, ele não implica prisão: o documento formaliza os fatos, qualifica as partes e encaminha o caso ao Juizado Especial Criminal, onde a pessoa investigada é chamada a se explicar. É o degrau que transforma um vídeo de rede social em processo com número.

ASSISTA AO VÍDEO

O fechamento do perfil aconteceu depois que a repercussão saiu do círculo local. Até então, a conta funcionava como vitrine pública, com marcações de cidade, de estado e do estabelecimento no próprio vídeo do sorvete, justamente o que ajudou o material a se espalhar entre moradores de Blumenau. A gravação circulou em cópias e prints mesmo depois do bloqueio.

Entenda o caso

Nas imagens, a atendente aparece na janela do drive-thru de uma unidade da rede McDonald’s em Blumenau, uniformizada e identificável, esticando o braço para entregar a casquinha. Do lado de dentro do carro, a motorista já filmava. Em vez de seguir viagem, ela passou os dedos no sorvete, levou o doce à boca com as mãos, riu e devolveu o que sobrou para a funcionária, que permaneceu parada no guichê. Em nenhum momento a trabalhadora é consultada sobre a gravação, e ela não tem como sair do enquadramento: é ela quem precisa entregar o pedido e o comprovante. Relembre a repercussão do vídeo que expôs a atendente em Blumenau.

Quando as críticas chegaram, a autora do vídeo respondeu mantendo a postura da publicação. “Vamos parar de mimimi, tudo é humilhação, tudo é isso aquilo”, escreveu, em resposta a um dos perfis que a cobraram nos comentários. A frase virou o resumo da defesa e, ao mesmo tempo, o combustível da revolta.

Publicidade

Nos comentários, a discussão saiu do sorvete e foi direto para a assimetria da cena. “Que falta de respeito com quem está ali trabalhando por oito horas pra ganhar um salário ruim”, escreveu uma seguidora. Outro perfil sintetizou o argumento que se repetiu em centenas de respostas: expor uma funcionária em serviço, desperdiçar comida e transformar isso em conteúdo não é entretenimento nem coragem, é falta de respeito. Houve ainda quem cobrasse diretamente o ponto que agora está na delegacia: “você está usando a imagem de uma funcionária sem a autorização dela e ainda zoando com isso”.

Enquanto o vídeo circulava, uma empresária de Blumenau gravou uma resposta pública e transformou o caso em nota de repúdio, dirigida a quem chega de fora para trabalhar na cidade. “Blumenau é uma cidade de todos”, disse. “Se você escolheu viver aqui, seja muito bem-vindo. Não permita que uma atitude isolada faça você acreditar que será tratado desta forma.”

Nenhuma pessoa merece ser constrangida enquanto está trabalhando, independente da profissão, da origem, raça, cor ou condição financeira. Quando a humilhação vira entretenimento, corremos o risco de normalizar atitudes que machucam outras pessoas.

No mesmo vídeo, a empresária ofereceu um dia de cuidados no estúdio de que é proprietária à trabalhadora exposta, com o compromisso de não divulgar imagem nem identidade dela.

Publicidade

O que diz a lei sobre uso de imagem

O caso expõe uma fronteira que costuma ser ignorada em vídeos de rede social. A imagem de uma pessoa é protegida pelo Código Civil brasileiro, e a divulgação sem autorização, quando expõe ou ridiculariza alguém, pode render pedido de reparação na Justiça, mesmo que a gravação tenha sido feita em ambiente aberto ao público. A esfera cível corre em paralelo à criminal: uma coisa é o termo circunstanciado, outra é uma eventual ação por danos morais.

Com o perfil fechado, o vídeo original saiu do ar na fonte, mas segue circulando em republicações. A rede de fast-food não se manifestou publicamente sobre o caso, e a funcionária exposta não deu declarações. A investigação segue na Delegacia de Polícia Civil de Blumenau.

Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham