A Polícia Civil aponta a própria mãe como principal suspeita de agredir uma criança dentro de uma unidade escolar no bairro Cristo Redentor, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O caso foi registrado na terça-feira da semana passada (18) e é apurado pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI).
Segundo a nota enviada pela delegada Ana Elisa Vargas de Souza, titular da especializada, a linha de investigação afasta, por ora, a participação de funcionários da unidade. “Pelas informações iniciais, a suspeita é de que a agressão tenha sido praticada pela mãe da criança, não havendo indicação de envolvimento de profissionais da escola”, informou a Polícia Civil.
O caso veio a público depois que imagens do sistema de monitoramento da escola foram obtidas com exclusividade pelo programa Linha Verdade. A gravação registra a mulher no corredor da unidade, ao lado da criança, entrando com ela em uma sala.
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Poucos segundos depois, ela reaparece desferindo uma sequência de tapas na cabeça da vítima. Em outro momento, aplica um movimento na região do pescoço que aparenta ser uma tentativa de estrangulamento, golpe conhecido popularmente como mata-leão.
As imagens mostram ainda que o local não estava vazio. Uma funcionária passa pelo corredor durante a ação e outras pessoas aparecem no mesmo ambiente.
Foi justamente esse cenário que gerou confusão quando o vídeo começou a circular. Como as agressões ocorreram dentro da escola, parte do público atribuiu a autoria a uma professora. A Polícia Civil descarta essa hipótese na fase atual da apuração.
“As circunstâncias estão sob investigação e já foram determinadas diligências para o esclarecimento dos fatos”, afirmou a delegada.
O caso tramita sob sigilo, prática padrão em apurações que envolvem crianças e adolescentes.
Como a mulher chegou até a sala de aula e por que teve acesso ao interior da unidade durante o período de atividades são pontos que a investigação ainda precisa esclarecer. A rede à qual a escola pertence não foi divulgada.
Terceiro caso em menos de um mês em Criciúma
O episódio se soma a uma sequência que vem se acumulando na cidade, ainda que de natureza diferente. Em 27 de julho, uma professora do CEI Natureza, no mesmo bairro Cristo Redentor, foi demitida por justa causa e chegou a ser presa após imagens de monitoramento mostrarem que ela pisou no pé de uma criança de 4 anos como forma de correção. Ela foi solta na terça-feira seguinte, após audiência de custódia.
Menos de uma semana depois, no início de agosto, a Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) demitiu duas professoras do CEI Santa Luzia por denúncia de maus-tratos contra outra criança. A decisão também partiu da análise das imagens do circuito interno, e a Polícia Civil instaurou inquérito para ouvir testemunhas.
Nos dois casos anteriores, as investigadas eram profissionais contratadas para cuidar das crianças. Agora, a suspeita recai sobre a própria família da vítima. Criciúma já havia registrado um caso de grande repercussão em outubro de 2024, quando uma estagiária de 38 anos foi flagrada agredindo uma criança de 5 anos na EMEB Lili Coelho, no bairro Santa Luzia, episódio que terminou com quatro profissionais desligadas da rede municipal.
Condutas como a registrada no vídeo podem ser enquadradas no crime de maus-tratos, previsto no artigo 136 do Código Penal, com pena de um a quatro anos de reclusão, além dos dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente. A definição depende do resultado do inquérito. A DPCAMI segue com as diligências para esclarecer as circunstâncias das agressões e os demais detalhes do caso.














