Ele contou que o dia começou como qualquer outro. Catarina saiu cedo de casa, por volta das 7h, para mais uma aula de natação, rotina que seguia com disciplina. Roger permaneceu em casa acreditando que logo ela voltaria. “Deu o horário de ela chegar, ela não chegou, achei que ela estava nadando”, relatou, visivelmente abalado. O silêncio prolongado acendeu o alerta. Uma mensagem no grupo da natação o deixou ainda mais inquieto. Alguém avisava que os pertences de Catarina haviam sido encontrados no início da trilha.
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A partir daí, começou uma corrida desesperada. Roger ligou para a professora de natação e ouviu a confirmação de que Catarina não havia aparecido para a aula. Ele acionou imediatamente a Polícia Militar e saiu pelas trilhas com o pai dela, tentando encontrar qualquer sinal que apontasse para onde a jovem poderia estar. As buscas avançaram pela manhã. O desfecho veio às 14h, quando dois turistas localizaram o corpo em uma área de difícil acesso, entre pedras e mata fechada.
A dor do marido não se resume ao impacto do crime. Ela alcança também o que vinha sendo construído a dois. Catarina e Roger planejavam comprar a casa própria, adquirir o primeiro carro e até escolher um cachorro quando as finanças permitissem. Sonhavam com uma vida tranquila no bairro dos Açores, onde pretendiam morar. Para ajudar nas economias, ele havia interrompido as próprias aulas de natação, enquanto Catarina mantinha a rotina esportiva. Tudo isso virou lembrança esmagada pela violência. “Fazer casa para quê? Morar para quê? Catarina não está aí. Acabou, acabou. Não volta”, desabafou.
O crime foi cometido por Giovane Correa Mayer, de 21 anos, assassino confesso, localizado e preso horas depois. Ele teve a prisão convertida em preventiva. O laudo da Polícia Científica apontou que Catarina morreu por asfixia mediante estrangulamento, possivelmente com um cadarço ou barbante. A investigação também apura se houve violência sexual e reabriu um inquérito sobre o estupro de uma idosa em 2022, nos Açores, caso no qual Giovane também é apontado como autor.
Enquanto os desdobramentos seguem, a UFSC decretou três dias de luto e colegas, professores e amigos destacaram a trajetória de Catarina. Pesquisadora dedicada, amante da natureza e da vida ao ar livre, ela era vista como uma mulher brilhante dentro da universidade. Agora, sua história passa a carregar também o peso de uma cidade que exige justiça e a dor de um marido que teve sua vida interrompida no mesmo instante em que a dela foi ceifada.