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“Um gesto de amor”: pais decidem doar os órgãos do filho de 2 anos do jogador Gustavo Simões em Florianópolis

Benício, de 2 anos, filho do atacante Gustavo Simões, morreu após ficar internado desde um acidente registrado em Florianópolis. A mãe, Letícia Vieira, anunciou a doação nas redes sociais. Detalhes sobre as circunstâncias e a causa da morte não foram divulgados pela família nem pelas autoridades.

“Um gesto de amor”: pais decidem doar os órgãos do filho de 2 anos do jogador Gustavo Simões em Florianópolis
Foto: Reprodução
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A decisão que os pais de Benício tomaram no pior dia da vida deles mudou o ritmo da despedida. Enquanto a família se preparava para o velório, uma equipe médica seguia o protocolo que permite retirar órgãos de um doador de 2 anos e levá-los a quem espera na fila de transplantes. Foi a própria mãe do menino quem explicou publicamente por que a cerimônia não aconteceria de imediato: o processo, escreveu ela, “leva um pouco mais de tempo”.

Benício Santos Simões da Silveira, de 2 anos, era filho do atacante Gustavo Simões, de 24, do Ypiranga Futebol Clube, de Erechim, no Rio Grande do Sul, e de Letícia Vieira da Silveira. O menino morreu na terça-feira (4), depois de ficar internado desde um acidente registrado em Florianópolis. Detalhes sobre as circunstâncias e a causa da morte não foram divulgados pela família nem pelas autoridades.

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Um gesto de amor

A doação foi anunciada pela mãe nas redes sociais, em uma publicação em que ela contou que a escolha foi feita em conjunto com o pai. Letícia descreveu a decisão como “um gesto de amor que poderá transformar muitas vidas” e afirmou que o filho “continuará levando esperança a outras crianças”.

A frase não é figura de linguagem. Doador pediátrico é peça rara no sistema brasileiro de transplantes, porque órgãos de criança pequena costumam ser compatíveis apenas com receptores de porte semelhante, também crianças. Um coração, um fígado ou dois rins de um doador de 2 anos não substituem os de um adulto na fila. Eles atendem justamente a faixa etária que mais tempo passa esperando.

Como funciona o processo

O intervalo entre a morte e o velório é a parte menos compreendida da doação, e foi exatamente o que a mãe precisou explicar publicamente. No Brasil, a retirada de órgãos só é possível após o diagnóstico de morte encefálica, definida como a parada irreversível das funções do cérebro, ainda que os demais órgãos sigam funcionando, e depende obrigatoriamente da autorização da família.

Confirmado o diagnóstico e dada a autorização, começa a etapa que consome horas: exames de compatibilidade, acionamento da central de transplantes, localização dos receptores em lista de espera, deslocamento das equipes cirúrgicas e, só então, a captação e o transplante. Foram esses procedimentos que levaram as cerimônias de despedida a serem marcadas para esta quinta-feira (6).

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Podem ser doados coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas e intestinos, além de tecidos como córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas. A lista de espera por transplante no país passa de 50 mil pessoas cadastradas junto à Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Quantos órgãos de Benício foram aproveitados e quantos pacientes serão beneficiados não foi divulgado.

Dias de oração

Antes do desfecho, houve uma mobilização que reuniu parentes, amigos e o vestiário do clube gaúcho. Dois dias antes da confirmação da morte, familiares e amigos organizaram uma corrente de oração pela recuperação do menino, divulgada nas redes sociais. Na segunda-feira (3), o próprio Gustavo Simões publicou um vídeo de uma roda de oração pelo filho.

O Ypiranga confirmou a morte na quarta-feira (5), em nota oficial. O clube afirmou que orou pelo restabelecimento do menino desde o acidente e a internação, e encerrou o comunicado dizendo estar ao lado do atleta e da família.

É com grande pesar que recebemos hoje a informação do falecimento do Benício, filho do nosso atleta Gustavo Simões.

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Da Ressacada ao luto

Gustavo Simões é cria de Florianópolis no futebol. Formado nas categorias de base do Avaí, foi no clube da capital que ele conquistou o Campeonato Catarinense e estreou no Campeonato Brasileiro, em 2022. O Avaí também divulgou nota, com condolências ao ex-atleta do Leão e à família, e classificou o caso como uma perda irreparável.

Em maio deste ano, pai e filho entraram juntos em campo antes de uma partida, de mãos dadas. Na publicação que fez depois, o atacante escreveu que, antes de qualquer título ou resultado, “existem laços que valem muito mais do que qualquer vitória”. As fotos daquele dia voltaram a circular nesta semana como imagem de despedida.

Nos dias seguintes à morte, a mãe seguiu publicando registros do filho. Em uma das mensagens, ao lado de uma foto abraçada ao menino, escreveu que “a casa tá silenciosa sem você” e que o coração não bate mais como antes. Em outra, resumiu a despedida em uma frase curta: “Que dor, meu filho, que dor”.

Velório e sepultamento

O velório acontece nesta quinta-feira (6), das 10h às 15h, na Capela Mortuária da Lagoa da Conceição, na Rua Manoel Severino de Oliveira, em Florianópolis. Em seguida, o sepultamento está previsto para o Cemitério do Itacorubi, entre 15h e 16h.

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