Uma corrida de aplicativo durante a madrugada em Florianópolis acabou se transformando em um momento difícil para o motorista Jordan Horn e, principalmente, para uma passageira que entrou no veículo chorando e relatou estar vivendo uma situação de violência doméstica.
O episódio aconteceu na madrugada de domingo (30) e foi registrado pelas câmeras instaladas no carro. Jordan, conhecido por publicar situações vividas durante as corridas, percebeu rapidamente que a mulher estava abalada.
“Você está bem?”, perguntou. A passageira respondeu que não.
A partir daí, começou uma conversa delicada. A mulher falou sobre a possibilidade de denunciar uma pessoa e, ao ser questionada pelo motorista, relatou uma situação de violência psicológica e mencionou também agressões físicas.
Segundo o relato feito por ela dentro do veículo, o responsável seria o ex-marido, pai de uma de suas filhas.
Jordan perguntou se ela gostaria que a polícia fosse chamada. A passageira recusou.
O motivo apresentado pela mulher mostra uma das dificuldades que podem cercar vítimas de violência doméstica. Ela disse temer que uma denúncia provocasse consequências para os filhos mais velhos, que, conforme seu relato, ainda dependiam financeiramente do homem.
“Eu estaria prejudicando eles”, afirmou durante a conversa.
O motorista tentou mostrar à passageira que aquilo que ela descrevia também configurava uma forma de violência e demonstrou preocupação com a possibilidade de o caso se agravar.
“Se ele está te torturando psicologicamente, isso é uma violência. E não é porque é o pai da sua filha que ele pode fazer o que bem entende”, afirmou Jordan.
Em outro momento, diante da resistência da mulher em procurar a polícia, o motorista fez um alerta ainda mais duro: “Você pode pagar com a sua vida por conta disso”.
“Foi uma noite difícil”
Apesar das tentativas de Jordan, a passageira não quis que a Polícia Militar fosse acionada durante a corrida. Ela continuou demonstrando preocupação com os filhos e com as possíveis consequências de uma denúncia.
Depois de deixá-la em casa, porém, o motorista afirmou que não conseguiu simplesmente seguir a madrugada como se nada tivesse acontecido.
Segundo Jordan, ele entrou em contato com a Polícia Militar e contou o que havia acabado de presenciar. Conforme a versão apresentada por ele, recebeu a informação de que, diante das circunstâncias relatadas naquele momento, deveria ser feito o registro do caso junto à Polícia Civil.
O motorista decidiu então fazer uma denúncia pelo Ligue 180, serviço nacional de atendimento às mulheres em situação de violência.
Ao publicar as imagens, Jordan resumiu o impacto da situação: “Foi uma noite difícil para mim”.
Ele também fez um apelo para que mulheres que estejam enfrentando situações semelhantes procurem ajuda e para que pessoas que percebam sinais de violência não tratem o problema como algo que deve permanecer apenas dentro de casa.
Medo pode dificultar pedido de ajuda
O registro chama atenção justamente porque mostra, em tempo real, a dificuldade de uma mulher que relata estar sofrendo violência, mas demonstra medo das consequências de romper o ciclo e procurar as autoridades.
Durante a conversa, a passageira não demonstra preocupação apenas consigo mesma. Ela menciona os filhos, a dependência financeira e as consequências que acredita que uma denúncia poderia provocar para toda a família.
Para quem presencia uma situação assim, também pode surgir a dúvida sobre o que fazer. No caso registrado em Florianópolis, Jordan decidiu procurar orientação mesmo depois de a própria passageira recusar o acionamento policial naquele momento.
As acusações contra o ex-marido correspondem ao relato feito pela passageira no vídeo. O material divulgado pelo motorista, por si só, não permite confirmar as circunstâncias narradas nem eventual responsabilização do homem citado.
O Ligue 180 funciona como canal de orientação e denúncia em casos de violência contra a mulher. Quando uma agressão estiver acontecendo ou houver risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.













