Uma operação contra um suposto esquema milionário de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro mobilizou agentes em 25 cidades de Santa Catarina e do Paraná na manhã desta quarta-feira (2). Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão são cumpridos contra empresários, empresas de uma rede de lojas e o contador do grupo. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 8,9 milhões em bens e valores dos investigados.
Batizada de “Mercado Oculto”, a operação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à 6ª Promotoria de Justiça de Chapecó. A investigação apura suspeitas de crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de estabelecimentos comerciais.
Segundo as investigações, empresas que apareciam formalmente como independentes estariam, na prática, ligadas a uma mesma estrutura empresarial e familiar, com gestão e atuação coordenadas. A suspeita é de que a divisão das atividades entre diferentes pessoas e empresas tenha sido usada para esconder a existência de um único grupo econômico e reduzir ou evitar o pagamento de tributos.
O suposto esquema também teria sido utilizado para lavagem de dinheiro. As investigações agora buscam identificar como funcionavam as movimentações financeiras e patrimoniais, quem seriam os beneficiários e se outras pessoas participaram das operações.
Os mandados são cumpridos em Abelardo Luz, Caçador, Caibi, Campo Erê, Capinzal, Catanduvas, Chapecó, Cunha Porã, Faxinal dos Guedes, Ipumirim, Irani, Joaçaba, Maravilha, Mondaí, Palmitos, Pinhalzinho, Ponte Serrada, São Carlos, São Domingos, Saudades, Seara, Xanxerê e Xaxim, em Santa Catarina, além de Dois Vizinhos e Palmas, no Paraná.
Durante as buscas, os agentes procuram documentos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis, fiscais e financeiros que possam ajudar a esclarecer a atuação do grupo.
A pedido da 6ª Promotoria de Justiça de Chapecó, o juiz da Vara Regional de Garantias da Comarca de Concórdia também determinou o sequestro de bens móveis, imóveis e ativos financeiros dos investigados. O bloqueio pode chegar a R$ 8,9 milhões, valor estimado do prejuízo causado aos cofres públicos com a suposta sonegação tributária.
A investigação chegou ainda ao mercado imobiliário, à construção civil e ao setor de veículos. Informações e documentos foram requisitados a imobiliárias, construtoras e empresas do ramo para identificar negócios realizados por pessoas relacionadas ao caso.
As diligências procuram esclarecer se operações patrimoniais foram utilizadas para esconder bens e valores, além de identificar os beneficiários das transações e eventual participação de terceiros.
Todo o material considerado relevante apreendido durante a operação será encaminhado à Polícia Científica para exames e elaboração de laudos periciais. As evidências serão posteriormente analisadas pelo GAECO.
O nome “Mercado Oculto” faz referência justamente à estrutura investigada. Segundo o Ministério Público, embora os estabelecimentos aparecessem formalmente como empresas independentes, os indícios apontam que eles fariam parte de uma mesma estrutura econômica, que teria sido fragmentada entre diferentes pessoas físicas e jurídicas.

O processo tramita em sigilo, e os investigados são tratados como suspeitos. Novas informações poderão ser divulgadas quando houver publicidade dos autos.















