O descarte irregular de seringas, lancetas e canetas emagrecedoras no lixo comum tem acendido um alerta na cidade de Camboriú. Segundo dados levantados pela empresa Ambiental, concessionária responsável pela limpeza urbana do município, são encontradas mensalmente entre três e quatro seringas jogadas inadequadamente junto aos resíduos domésticos. O material inclui desde insumos para aplicação de insulina e tratamentos estéticos/emagrecedores até itens de uso veterinário.

A prática representa um perigo direto e silencioso para os coletores, catadores e trabalhadores que manuseiam os resíduos diários. Ao serem depositados em sacolas plásticas comuns, esses objetos perfuram a embalagem e atingem os profissionais durante a coleta ou a triagem. Além do ferimento físico em si, a exposição a agulhas usadas abre portas para contaminações por agentes patogênicos e infecções graves, como as hepatites B e C e o vírus HIV.
Como fazer o armazenamento doméstico seguro
Para conter os acidentes, a Vigilância Sanitária e a Ambiental de Camboriú orientam os moradores que utilizam medicamentos injetáveis em casa a seguirem normas específicas de descarte, alinhadas à RDC nº 222/2018 da Anvisa:
- Embalagem rígida: Armazene agulhas, seringas e lancetas em recipientes de plástico duro e resistentes a furos, como garrafas PET.
- Sem reencapar: Nunca tente colocar a tampa de volta na agulha após o uso, pois essa atitude é a principal causadora de acidentes domésticos.
- Vedação e Entrega: Quando a garrafa PET estiver cheia, feche bem a tampa e leve-a até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou a um ponto de coleta especializado. A garrafa com perfurocortantes jamais deve ir para o lixo comum ou para a reciclagem.
Responsabilidade civil e impacto coletivo
A destinação correta atende às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). Além do dever socioambiental, o descarte irresponsável que resulta em acidentes pode acarretar sanções legais ao causador do dano, conforme preveem os artigos 186 e 927 do Código Civil sobre a obrigação de reparar prejuízos a terceiros.
Trata-se de uma corrente de proteção mútua: o pequeno gesto de guardar uma seringa em um recipiente rígido dentro de casa previne acidentes graves nas ruas e garante a integridade de quem trabalha diariamente para manter a cidade limpa.














