A Polícia Militar de Santa Catarina e a Polícia Federal apreenderam 707 quilos de cocaína dentro de uma residência no bairro Cordeiros, em Itajaí, no litoral catarinense, por volta das 20h desta terça-feira (8). Um homem de 28 anos foi preso em flagrante no imóvel.
Segundo a Polícia Militar, a chegada ao endereço partiu de informações de inteligência. Equipes do 1º Batalhão de Polícia Militar verificaram a casa e localizaram a carga armazenada no interior do imóvel. Os tabletes foram retirados, empilhados e contados um a um, e o material ficou sob custódia da Polícia Federal.
Preso no local, José Henrique Borges da Paz, de 28 anos, é natural de São Paulo. Ele responderá por tráfico de drogas, crime com pena de 5 a 15 anos de reclusão, além de multa. A autoria da ocorrência foi identificada e o caso segue em apuração.


Segunda apreensão em Itajaí em três dias
A carga de Cordeiros aparece 48 horas depois de outra grande apreensão na mesma cidade. No domingo (6), a Polícia Federal, com apoio da Polícia Militar de Santa Catarina e da Polícia Rodoviária Federal, encontrou um depósito subterrâneo construído sob o piso de uma casa no bairro Cidade Nova. Dentro do esconderijo estavam 231 quilos de cocaína.
Aquela ação começou fora de Santa Catarina. Um veículo que havia saído do imóvel de Itajaí foi monitorado e abordado em Barra do Turvo, no interior de São Paulo, com cerca de 290 quilos de cocaína. O motorista, de 25 anos, foi preso, e as equipes seguiram até o endereço de origem, onde o caseiro da casa, de 29 anos, também acabou preso em flagrante. Somadas, as duas ocorrências daquele domingo tiraram de circulação 521 quilos.
A linha que começou na BR-101
A sequência de apreensões no litoral e no Vale do Itajaí vem de julho. No dia 12, a Polícia Rodoviária Federal abordou um furgão com placas de São Paulo no km 24 da BR-101, em Joinville, e localizou 487 quilos de cocaína escondidos no compartimento de carga. O motorista, de 39 anos, disse aos policiais que havia carregado a droga na região de Itajaí e faria a entrega na capital paulista. Foi a maior apreensão da droga em rodovias federais catarinenses em 2026.
Cinco dias depois, o compartilhamento de inteligência entre a PRF e a Polícia Militar levou às duas maiores apreensões já registradas no estado. Por volta das 23h55 de 17 de julho, o 25º Batalhão encontrou cerca de 1.550 quilos de cocaína em uma residência do bairro Gravatá, em Navegantes. Às 1h15 da madrugada seguinte, o 10º Batalhão localizou outros 2.000 quilos em um imóvel do bairro Velha, em Blumenau. As duas casas estavam vazias e ninguém foi preso.
Juntas, as 3,55 toneladas daquele fim de semana formaram a maior apreensão de cocaína da história de Santa Catarina, avaliada em cerca de R$ 70 milhões no mercado ilegal conforme estimativa das forças de segurança. O volume superou em quase seis vezes o bunker com 613 quilos descoberto em Blumenau em dezembro de 2025, carga que teria como destino a Europa.
Mais de cinco toneladas em menos de dois meses
Somadas as ocorrências desde 12 de julho, o ciclo chega a 5.265 quilos de cocaína apreendidos: 487 quilos em Joinville, 3.550 quilos em Navegantes e Blumenau, 521 quilos no domingo entre Itajaí e Barra do Turvo e mais 707 quilos nesta terça-feira em Cordeiros. Descontada a carga interceptada em solo paulista, são 4.975 quilos retirados de circulação dentro de Santa Catarina em menos de dois meses.
A concentração das apreensões em um mesmo eixo ajuda a explicar por que Itajaí voltou a aparecer. Conforme as investigações divulgadas até agora, cidades do Vale do Itajaí e do litoral catarinense vinham sendo usadas como pontos de transbordo e armazenamento, com a droga seguindo pela BR-101 rumo a São Paulo e parte da carga podendo ter como destino o mercado internacional, pelos portos da região.
Até a publicação desta reportagem não havia informação oficial ligando a carga encontrada em Cordeiros à investigação que originou as apreensões anteriores. O material apreendido e o preso ficaram à disposição das autoridades, e as apurações seguem em andamento para identificar quem controlava o imóvel e qual seria o destino final da cocaína.















