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Promessa de 70% ao mês e 10 mil vítimas: PF faz buscas em Blumenau e bloqueia R$ 100 milhões

Segundo apuração do Jornal Razão, a Operação São Silvestre mira as plataformas Jockey Bit, Wish Money e F2 Trading; a PF cumpriu 12 mandados em dez cidades

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Promessa de 70% ao mês e 10 mil vítimas: PF faz buscas em Blumenau e bloqueia R$ 100 milhões
Foto: Reprodução
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A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (22) 12 mandados de busca e apreensão contra um grupo suspeito de montar pirâmides financeiras que prometiam lucro de 2% a 3% ao dia, ou até 70% ao mês. A Justiça mandou bloquear até R$ 100 milhões em bens de 15 pessoas e 13 empresas. Segundo a PF, mais de 10 mil pessoas podem ter sido vítimas.

Segundo apuração do Jornal Razão, as plataformas investigadas na Operação São Silvestre são a Jockey Bit, a Wish Money e a F2 Trading. A PF não divulgou os nomes das empresas nem dos investigados.

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Metade das buscas foi em Santa Catarina: dois mandados em Blumenau e um em cada uma destas cidades: Florianópolis, Pomerode, Indaial e Rio do Sul. Os outros foram cumpridos em Curitiba (dois), Álvares Machado (SP), Belo Horizonte, Recife e Jaboatão dos Guararapes (PE). As ordens são do 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.

Imagens obtidas pelo Jornal Razão mostram um Corvette amarelo, uma Mercedes e um carro elétrico na garagem de um dos endereços alvo das buscas, com a viatura da PF no pátio. Não há informação oficial sobre apreensão dos veículos.

Agente da Polícia Federal durante as buscas da Operação São Silvestre, nesta quinta-feira (22)

Como o esquema funcionava

De acordo com a PF, as plataformas ofereciam supostas aplicações em criptomoedas e operações automatizadas por robôs. A captação ocorreu entre 2018 e 2020, em vários estados e também no exterior. Para comparar, a poupança rende menos de 1% ao mês.

Em entrevista à NDTV RECORD Itajaí, reproduzida pelo portal ND+, o delegado da PF Mauricio Todeschini disse que o grupo abriu uma empresa em Itajaí e divulgava os investimentos em Blumenau e Itapema. Ainda segundo o delegado, ouvido pela NDTV, um dos principais investigados morava em Balneário Camboriú, e investidores chegaram a vender carros e imóveis para aplicar. Quando uma empresa quebrava, o grupo passava a divulgar outra.

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Mercedes na garagem de um dos endereços alvo das buscas

As três plataformas

A Jockey Bit vendia planos em dólar, de US$ 200 a US$ 20 mil, para operar apostas em corridas de cavalos. Em 2019, o site da empresa falava em rentabilidade média de 30% ao mês e se apresentava como marketing multinível. As transmissões ao vivo da companhia eram feitas, segundo os próprios vídeos, de um escritório em Balneário Camboriú. No Reclame Aqui, um investidor relatou em 2019 que foi transferido para a Wish Money com metade do valor que tinha aplicado.

A Wish Money prometia rendimentos de até 2,1% ao dia com bitcoin e fazia eventos de luxo com celebridades contratadas. Em 2019, parou de pagar os investidores. Em áudio vazado na época, uma das líderes sugeria dizer que o atraso era um “bug” na plataforma. Em 2020, o Ibedec de Goiás entrou com ação coletiva contra a empresa.

A F2 Trading surgiu depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu, em maio de 2019, a oferta da FX Trading no Brasil. A FX era ligada a Philip Han. A nova marca passou a captar investidores também no exterior, inclusive no México. A defesa de Philip Han sempre afirmou que ele era apenas investidor e palestrante. Em 2020, um inquérito contra ele em São Paulo foi arquivado por falta de provas.

O que acontece agora

Os investigados foram indiciados por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e crimes contra o mercado de capitais. A PF não informou prisões.

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Quem investiu nas plataformas e tem comprovante dos aportes pode enviar a documentação para a Polícia Federal pelo e-mail [email protected].

O Jornal Razão tenta contato com as defesas dos investigados. O espaço está aberto para manifestação.

Fonte: entrevista do delegado Mauricio Todeschini à NDTV RECORD Itajaí, no portal ND+.

Leia também: PF mira esquemas de criptomoedas que teriam feito mais de 10 mil vítimas

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/seguranca/promessa-70-ao-mes-pf-buscas-blumenau-bloqueia-100-milhoes

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