O piloto Zuar Maciel, da Lista Área 48, saiu andando do Opala amarelo que bateu, explodiu e pegou fogo durante uma prova de arrancada no Speedway Music Park, em Balneário Camboriú, na noite de sábado (17). Em entrevista ao Jornal Razão, ele contou que não viu nada do acidente e que só entendeu o tamanho do susto depois, ao assistir aos vídeos que se espalharam pelas redes sociais.
“Eu desliguei completamente. Eu não vi o carro pegando fogo, eu não vi o carro batendo, eu não vi nada”, disse o piloto. “Eu só posso falar o que eu vi depois nos vídeos, que foi assustador.” Zuar afirma que também não sentiu nada no momento da batida e atribui isso à fé: “É como se Deus tivesse me protegendo assim: ‘Tu não vai ver nada disso aqui, vai acontecer e eu vou te salvar'”.
O acidente aconteceu durante uma das provas da noite. O Opala da Garage 55, carro que Zuar pilotava, perdeu o controle, bateu na mureta da pista e foi tomado pelas chamas na frente do público que acompanhava a prova. Com o impacto, o motor se soltou e o carro ficou destruído. O piloto foi socorrido logo depois da batida e sofreu apenas escoriações.
Para Zuar, o que fez a diferença foi a forma como o carro foi montado. “O carro foi muito bem construído. A equipe faz a construção pensando no pior. Claro que a gente não quer que aconteça, porém, é pensando nisso”, explicou. Segundo ele, a estrutura de segurança “fez o que tinha que ser feito: me salvar”.

O piloto lista os equipamentos que considera indispensáveis numa prova de arrancada: roupa com proteção anti-chama no grau máximo possível, para evitar queimaduras, luva, capacete, hans (o protetor de pescoço), bota e cinto de segurança. “Tem que ser uma coisa muito profissional, porque senão pode arrebentar também e aí acaba se machucando bastante”, alertou.
Zuar também defende a pista. Ele conta que o Opala bateu na mureta e voltou para dentro da pista, “que é o que é pra ser feito quando tu bate”. “Então ela funcionou. O resgate foi muito rápido”, disse o piloto, que elogiou a equipe que cuida dos incêndios, a ambulância e a segurança do evento. “Tudo funcionou.”
Sobre a causa, Zuar não sabe dizer o que provocou a perda de controle e não descarta nenhuma hipótese. “Pode ter sido um erro do piloto, pode ter sido um erro meu, no caso. Pode ter sido uma falha do carro, pode ter sido uma saída um pouquinho de pista, daí pegou uma sujeira”, afirmou. Ele admite ainda que, por ser de uma geração mais antiga da arrancada, talvez não estivesse tão preparado física e mentalmente quanto os pilotos mais novos.
Zuar compara o Opala da Garage 55 com os carros do começo da carreira: “Carro de quatro, cinco segundos, então é muito rápido. Na época nós andava em 11, 12 segundos. Hoje os carros tão virando quatro segundos”.
A história dele na arrancada começou nos anos 90, quando a modalidade ainda era uma brincadeira com carros praticamente de rua na Passarela do Samba, na Grande Florianópolis, onde acontece o carnaval. Depois, a família e os negócios o afastaram das pistas por um tempo, até ele voltar e ganhar a oportunidade de pilotar o Opala da Garage 55.
Para o piloto, a arrancada de hoje é profissional, segura e um programa de família. “O evento em si é muito seguro, é muito bem feito, é muito organizado”, afirma. Zuar diz que as famílias se conhecem e viram amigas, e que a disputa fica só dentro da pista: “Fora, todo mundo é unido, todo mundo é gente boa”.
A família, conta ele, sempre se preocupou com os acidentes, mas ouvia a mesma resposta: “O carro é seguro, o carro é feito pra absorver impacto”. Mesmo depois do susto, Zuar quer voltar a correr. “A gente tem vontade, sim, de voltar pras pistas”, disse. “Deus fez a parte dele e a gente fez a nossa, por isso que deu tudo certo.”
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