Eram cerca de 6h30 desta quarta-feira (9) quando equipes da Delegacia de Investigação Policial chegaram ao bairro Campo Verde, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra Antônio César Rincon Filho, o influenciador Cesar Rincon. Ele estava no andar de cima da casa quando os policiais entraram e acompanhou a diligência do começo ao fim.
No quarto do influenciador, os agentes encontraram munição de calibre .38 guardada em dois pontos diferentes. Cinco caixas estavam sobre um móvel, à vista. Outro lote apareceu dentro de uma gaveta, dessa vez dentro de um saco. A contagem fechou em 250 munições nas caixas, 79 no saco e outras três já deflagradas: 332 no total.
A operação teve apoio de policiais civis da Comarca de Sombrio. Depois das buscas, Rincon foi conduzido à unidade policial para os procedimentos de praxe. A Polícia Civil confirmou a ação ainda pela manhã, mas informou que só divulgaria mais detalhes na tarde desta quarta.
Na delegacia, o influenciador pagou fiança de R$ 10 mil e foi liberado no mesmo dia. Nas redes sociais, ele próprio resumiu o episódio dizendo que foi preso e solto.
Rincon transformou a própria diligência em conteúdo. Publicou vídeo com os policiais dentro da residência e aparece nas imagens mostrando armas aos agentes, no mesmo tom de bastidor que sustenta o perfil dele desde 2023.
A fazenda apelidada de Texas Brasileira
A propriedade onde o mandado foi cumprido tem 7,6 hectares e foi comprada pelo influenciador há cerca de um ano. Avaliada em torno de R$ 5 milhões, ganhou o apelido de Texas Brasileira e virou cenário fixo dos vídeos: casa principal de dois andares, 500 metros quadrados de área construída, três suítes, cozinha integrada e aspirador central.
Foi ali que Rincon montou a ponte entre agropecuária e ostentação que o levou a mais de seis milhões de seguidores no Instagram, onde se apresenta como realizador de sonhos. Caminhonetes, tratores, festas, shows e sorteios de veículos de alto padrão formam o cardápio fixo do perfil.
Quem é Cesar Rincon
Natural de Cristalina, em Goiás, Antônio César Rincon Filho tem 26 anos e começou a produzir conteúdo sobre a vida no campo em 2023. Além do trabalho digital, atua como empresário e produtor musical, com os chamados Sets do Rincon, que misturam sertanejo, funk e estética agro. Neste ano, teve o nome ligado à inauguração de uma escola na província do Bengo, em Angola, projetada para atender até 500 crianças.
A escolha por Santa Catarina foi recente e deliberada. O influenciador fixou o rancho no Sul do estado, longe do eixo do agronegócio goiano, e passou a rodar o país a partir dali. Foi também o que aproximou o nome dele das páginas policiais catarinenses.
Um histórico de ocorrências
A passagem desta quarta não é a primeira. Em outubro de 2023, em Confresa, no Mato Grosso, Rincon foi detido depois de aparecer em vídeo surfando sobre um colchão amarrado a uma caminhonete em movimento. O veículo acabou apreendido.
Em abril de 2025, em Colíder, também no Mato Grosso, ele foi preso durante uma carreata organizada para divulgar uma rifa. Segundo a Polícia Militar, houve direção perigosa, desacato, desobediência e resistência. Naquela ocasião, moradores cercaram a delegacia e o influenciador foi solto no dia seguinte após pagar fiança de R$ 4 mil. A defesa alegou excesso policial.
Em junho deste ano, teve uma picape apreendida pela Polícia Rodoviária Federal na BR-153, em São Paulo, após ultrapassagem em faixa contínua. Na abordagem, os agentes constataram que ele não tinha Carteira Nacional de Habilitação. Em agosto, o nome voltou a repercutir nacionalmente depois de uma confusão no camping da Festa do Peão de Barretos, no interior paulista, com acusação de depredação do trailer de um casal de criadores de conteúdo. Rincon apresentou versão diferente e admitiu excessos de pessoas da equipe.
O que acontece agora
Munição guardada em casa sem o devido registro configura posse irregular pelo Estatuto do Desarmamento, com pena prevista de detenção de um a três anos e multa. É justamente por ser um crime dessa faixa de pena que a autoridade policial pode arbitrar fiança e liberar o investigado ainda na delegacia, sem que isso signifique arquivamento do caso.
O material apreendido segue para perícia. O inquérito deve apurar a origem das munições, a existência de registro e se há armas de calibre .38 declaradas em nome do influenciador. Concluída a investigação, cabe ao Ministério Público decidir por denúncia ou arquivamento.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não havia divulgado nota oficial com o balanço completo da operação. O Jornal Razão segue acompanhando o caso e atualizará esta matéria assim que houver posicionamento da instituição e da defesa.















