A entrega parcial da nova ponte sobre o Rio Perequê, entre Itapema e Porto Belo, na segunda-feira (15), reacendeu debates sobre acessibilidade e planejamento urbano. A estrutura, aguardada há anos, já é alvo de críticas antes mesmo de ser completamente liberada. O estopim da insatisfação veio após a publicação do vídeo de Reginaldo, morador de Itapema que trabalha em Porto Belo. Cadeirante, ele tentou subir pela ponte, mas, diante da inclinação e da falta de estrutura acessível, precisou recuar.
As imagens mostram Reginaldo se esforçando para acessar a pista. Ele chega até certo ponto e, sem conseguir continuar sozinho, decide retornar. O vídeo viralizou nas redes sociais e passou a representar a insatisfação de diversos moradores, que cobram explicações sobre as falhas no projeto.
“É inacreditável que tenham esquecido de pedestres, ciclistas e cadeirantes. Projetaram uma ponte pensando só nos carros e no que passa por baixo dela”, criticou um internauta. Outro comentou: “A ponte tem um ponto cego no topo. Como ninguém viu isso no papel?”.
O projeto da ponte começou ainda durante a gestão da ex-prefeita Nilza Simas, e previa uma estrutura com 16 metros de largura e 7 metros de altura, justamente para permitir a navegação de embarcações sob a ponte.
A promessa incluía acessos seguros para todos os modais: veículos, bicicletas e pedestres. Mas o que foi entregue até agora não contempla integralmente esses públicos.
Moradores questionam responsáveis e cobram prestação de contas
Nas redes sociais, não faltaram questionamentos sobre quem aprovou a obra nas condições atuais. “Devem cobrar a solução da ex-prefeita Nilza, dos vereadores que aprovaram o projeto na época e do empresário beneficiado com essa obra faraônica e ineficaz. Quem assinou? Quem aprovou?”, escreveu uma moradora.
A imprensa conversou com a vereadora Irmã Rute, de Itapema, que criticou a forma como a ponte foi entregue e reforçou a importância de incluir a acessibilidade nas prioridades do município. “É urgente corrigir isso. A acessibilidade não pode ser esquecida. Não podemos admitir que uma obra dessa magnitude não atenda a todos. Reginaldo representa muitos que estão sendo deixados de lado”, afirmou a parlamentar.
Obra inacabada e promessas pendentes
Segundo os prefeitos Alexandre Xepa (Itapema) e Joel Lucinda (Porto Belo), a entrega parcial se deu porque o lado de Porto Belo ainda não tem pista duplicada. A via de acesso tem apenas 5,40 metros de largura, e, de acordo com os gestores, não seria seguro liberar duas faixas por completo neste momento.
“A solução será ampliar a calçada para 1,5 metro, mantendo a acessibilidade. Em três ou quatro meses, pretendemos liberar as duas faixas até a rota Arno Barão”, disse Joel Lucinda.
Alexandre Xepa reforçou que a decisão foi técnica: “Foi um consenso entre os municípios, por questão de segurança. Mas o compromisso do Joel é de resolver isso em breve”.
Críticas à ex-prefeita e ausência na inauguração
Mesmo chamada de “mãe da obra” por aliados, a ex-prefeita Nilza Simas não participou da entrega simbólica e não se manifestou publicamente sobre os problemas relatados.
A jornalista e assessora Paula Morejano, colaboradora de Nilza, reagiu às críticas nas redes: “Fala, falador, mas ter coragem para arrumar uma situação de anos poucos têm. Pode ter demorado, mas tá aí”.
Enquanto isso, o improviso segue
Apesar da liberação da ponte, o tráfego entre Itapema e Porto Belo continua funcionando em sistema reduzido, com cones e sinalização improvisada. A promessa é de que, nos próximos meses, a estrutura seja finalizada, inclusive com a adequação para pedestres e cadeirantes.
A ponte balsa foi desmontada nesta quarta-feira (16), e a ponte do Exército deixará de funcionar no domingo (21).
Mas a cena de Reginaldo tentando atravessar a ponte segue repercutindo. Para muitos, a obra que deveria simbolizar o avanço da mobilidade virou exemplo de improviso e exclusão.





































