Erick Kauã Leite Lima, de 18 anos, morreu atropelado por um caminhão na tarde de quinta-feira (27), em Balneário Camboriú, depois de cair da garupa de uma motocicleta de aplicativo. Ele havia acabado de sair do trabalho, em Itajaí, e ia para a casa da namorada.
O acidente foi por volta das 15h25, na Rua 2550, no acesso ao túnel que liga a área central da cidade à BR-101. É um dos corredores mais carregados de Balneário Camboriú, com fluxo constante de veículos pesados.
Imagens de câmeras de segurança mostram que o semáforo do acesso ao túnel abriu e os veículos começaram a andar. Nesse momento, o condutor da moto tentou passar pelo espaço entre o caminhão e uma caminhonete.
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O corredor ali é estreito e a via faz curva. A moto encostou na carreta, o piloto perdeu o equilíbrio, roçou na caminhonete e caiu. Erick foi ao chão na direção do rodado do caminhão.
As rodas passaram sobre o corpo do jovem. Segundo a Polícia Militar, o caminhão vinha em velocidade baixa, de cerca de 15 km/h, e o motorista não chegou a ver a motocicleta nem percebeu de imediato o que havia acontecido.
Erick foi socorrido com vida. Recebeu atendimento de emergência do Samu ainda no local, com traumatismo craniano e lesões no quadril, e foi encaminhado ao Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde não resistiu.
O condutor da moto, de 23 anos, teve ferimentos leves. Foi levado ao hospital em estado de choque e, no local, não teve condições de detalhar o que havia acontecido.
Ele tinha acabado de completar 18 anos
Erick era natural de Belém, no Pará, e estava há quatro anos na região. Morava e trabalhava em Itajaí, como repositor no supermercado Fort Atacadista, e vivia com a mãe, o irmão e o padrasto.
Ele havia acabado de completar 18 anos. Na quinta-feira, saiu do expediente e pediu a corrida de moto por aplicativo para atravessar até Balneário Camboriú, onde mora a namorada. Não chegou.
Vídeo do acidente dividiu a cidade
As primeiras imagens circularam nas redes sociais em poucas horas e a discussão tomou conta de Balneário Camboriú. De um lado, moradores responsabilizaram a manobra da moto pelo corredor. De outro, cobraram explicação para a circulação de uma carreta daquele porte em via urbana no centro da cidade.
Uma mulher que afirma ter prestado os primeiros socorros ao jovem contestou publicamente a leitura das imagens. Ela sustenta que câmeras do lado oposto da via mostram uma cena diferente, que não houve culpa do motorista da caminhonete nem do condutor da carreta, e que esse material foi entregue à polícia.
O motorista do caminhão, de 69 anos, e o condutor da caminhonete, de 64, permaneceram no local e prestaram informações à Polícia Militar. A guarnição isolou a área, identificou os envolvidos e acionou um guincho para recolher a motocicleta. Não foi constatada infração administrativa na ocorrência.
Motociclista morre mais, mesmo com menos batida
A morte acontece em meio à expansão do transporte de passageiros por motocicleta via aplicativo, modal que se espalhou por centenas de cidades brasileiras e virou alvo de disputa judicial e legislativa. Em Balneário Camboriú, quem transporta passageiro por aplicativo precisa de credencial municipal: o Decreto 9.444, alinhado à Lei Federal 12.587/2012, obriga o cadastro junto à BC Trânsito, e quem roda sem o registro está sujeito a autuação.
Santa Catarina fechou o primeiro semestre de 2026 com 259 mortes de motociclistas somando rodovias federais e estaduais. Só nas BRs catarinenses foram 73 mortes entre janeiro e junho, alta de 8,96% sobre o mesmo período de 2025, mesmo com queda de 2,22% no total de acidentes. Menos colisão, mais gravidade.
Na região, o quadro é igualmente pesado. Em Itajaí, cidade onde Erick morava, dados da Codetran divulgados nesta semana mostram que 13 das 26 mortes no trânsito em 2026 envolveram motociclistas, exatamente metade. Levantamento do Samu aponta que 71% dos acidentes atendidos em Santa Catarina nos primeiros meses do ano tiveram participação de moto.
As circunstâncias exatas do acidente seguem em apuração.















