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Eleições 2026

Cobrado pela violência na Bahia do PT, Lula culpa governos estaduais, mas ignora resultados de SC

Na sabatina do Jornal Nacional, o presidente rebateu pergunta sobre a Bahia, governada pelo PT há quase 20 anos e com cinco das dez cidades mais violentas do Brasil, dizendo que "nenhum governador, nenhum" resolveu a segurança pública. Horas antes, o CLP havia colocado Santa Catarina em 1º lugar no pilar pelo oitavo ano seguido, com a menor taxa de mortes violentas do Brasil

Lula durante sabatina do Jornal Nacional e policial militar de Santa Catarina
Foto: Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a noite desta quinta-feira (27), a mesma em que Santa Catarina foi confirmada como o estado mais seguro do Brasil pela oitava vez consecutiva, para dizer em rede nacional que “nenhum governador do Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema da segurança pública”. A frase saiu na sabatina do Jornal Nacional, ao vivo nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, em resposta a uma pergunta de César Tralli sobre a Bahia.

Tralli lembrou que Lula vai completar 12 anos como presidente e que o PT governa a Bahia há 20 anos. “E a Bahia hoje tem cinco das dez cidades mais violentas do Brasil. O maior número de mortes violentas de crianças e adolescentes é o triplo da média nacional”, disse o apresentador, antes de perguntar por que o partido não conseguiu coordenar ações eficientes de segurança no estado “mesmo governando o país e o estado ao mesmo tempo e há tanto tempo”.

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“Não seja injusto com a Bahia”, reagiu Lula. “Nenhum governador do Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema da segurança pública. Nenhum conseguiu segurar.” Em seguida, devolveu a pergunta ao apresentador, lembrou que Tralli é de São Paulo e citou campanhas eleitorais paulistas com o slogan “bandido bom é bandido morto” e com “carreta passeando com um artista fantasiado de prisioneiro”. “Ninguém consegue resolver”, repetiu.

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O ranking divulgado horas antes

Os números divulgados horas antes contam outra história. Na manhã da mesma quinta-feira, o Centro de Liderança Pública (CLP) lançou o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 e colocou Santa Catarina em primeiro lugar geral pela primeira vez em 15 edições. No pilar Segurança Pública, o estado ficou em 1º pelo oitavo ano consecutivo, com nota máxima, 100, e lidera os dois indicadores centrais do pilar: segurança pessoal, que mede as mortes violentas, e segurança patrimonial, que mede os roubos.

A base do CLP é o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho. Ali, Santa Catarina aparece com 7,6 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, a menor taxa do país, à frente de São Paulo (7,8), que liderava esse ranking desde 2014. Foram 622 mortes violentas no ano, num estado de 7,6 milhões de habitantes, e a taxa caiu de 8,6 em 2024 para 7,6. A média nacional é de 19,1.

Bahia: segunda maior taxa do país

A Bahia, governada pelo PT desde 2007, com Jaques Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues, está na outra ponta da tabela. Pelo mesmo Anuário, o estado registrou 5.473 mortes violentas intencionais em 2025, taxa de 36,8 por 100 mil habitantes, a segunda maior do Brasil, atrás apenas do Amapá (42,5) e quase cinco vezes a catarinense. Cinco dos dez municípios mais violentos do país são baianos: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro. Salvador é a capital com a maior taxa de mortes violentas do Brasil, 44 por 100 mil habitantes. Florianópolis tem 11,4.

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Indicador (2025)Santa CatarinaBahiaBrasil
Mortes violentas por 100 mil hab.7,636,819,1
Posição no ranking de letalidade1ª menor2ª maior
Total de mortes violentas6225.47340.775
Cidades entre as 10 mais violentasnenhuma5
Taxa da capital por 100 mil hab.11,4 (Florianópolis)44,0 (Salvador)
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, a Bahia teve 12,2 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2024, quase o triplo da média nacional de 4,6, segundo o Anuário do ano passado. É o dado que Tralli citou e que Lula não respondeu. O Atlas da Violência 2026, do Ipea com o Fórum, mostra ainda que a Bahia liderou o país em número absoluto de homicídios em 2024, com 6.061 mortes, e que 1.570 das mortes violentas baianas de 2025 decorreram de intervenção policial, quase 29% do total.

A conta que os rankings fazem

A sabatina não foi a primeira vez em que Lula transferiu o tema aos estados. Pela Constituição, as polícias Militar e Civil respondem de fato aos governadores. Mas o próprio governo federal negocia no Congresso a PEC da Segurança Pública, que amplia o papel da União, e a comparação entre os estados é justamente o que os rankings medem: com as mesmas leis penais e o mesmo sistema de Justiça, Santa Catarina chegou a 7,6 e a Bahia a 36,8.

Santa Catarina empenhou R$ 4,08 bilhões na função segurança pública em 2025, 7,2% das despesas do estado, segundo o Anuário. O governador Jorginho Mello (PL) já havia ligado os dois temas na edição passada do ranking do CLP, quando o estado ainda era vice-líder geral: “Reduzir a violência é uma condição fundamental para um Estado cada vez mais competitivo”, disse à época, em nota da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Nesta quinta, ele foi um dos governadores convidados para o painel do lançamento do ranking, em São Paulo.

Nenhum governador do Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema da segurança pública. Nenhum conseguiu segurar.

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sabatina do Jornal Nacional

Sabatina tensa do começo ao fim

O clima da entrevista foi tenso desde o início, com perguntas sobre a investigação da Polícia Federal envolvendo o filho do presidente, o rombo do INSS, o Banco Master e o sítio de Atibaia. Ao ser questionado por Renata Vasconcellos sobre as contas públicas, Lula reagiu: “Eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente”. Em outro momento, disse que “já estava achando que estava no Ministério Público” e pediu para falar do programa de governo.

A frase sobre os governadores foi lida por adversários como um gol contra em ano eleitoral. Pela mesma bancada passaram nesta semana Romeu Zema (Novo), na segunda-feira, Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, na terça, e Renan Santos (Missão), na quarta. Para o jornalista Felipe Moura Brasil, Lula “levantou uma bola” para Caiado “cortar” e “confessou, na prática, a incompetência petista que, inicialmente, tentou disfarçar”.

Lula segue nesta sexta-feira (28) para Salvador, na primeira agenda de campanha na Bahia, com uma caminhada no bairro da Liberdade ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT). No mesmo dia, o Jornal Nacional sabatina Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury (Avante) fecha a série no sábado (29).

Leia também: Santa Catarina tira São Paulo do topo após 14 anos e se torna o estado mais competitivo do Brasil

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