As portas da loja do Ponto Frio no Centro de Florianópolis amanheceram fechadas na sexta-feira (14). Sem aviso na véspera, sem liquidação de despedida. Quem passou pela esquina das ruas Deodoro com a Conselheiro Mafra, a poucos metros do Mercado Público, encontrou a fachada apagada de uma das lojas mais movimentadas do varejo da Capital. A cena se repetiu em cidades de todo o estado.
O grupo Casas Bahia, que também controla a rede Ponto Frio, anunciou na sexta-feira (14) o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil funcionários em todo o Brasil. Segundo o portal Valor Econômico, a decisão é resultado do endividamento bilionário acumulado pela companhia nos últimos trimestres.
Corte quase total em SC
Em Santa Catarina, o corte foi quase total. O estado tinha 23 lojas do grupo, sendo 21 da bandeira Casas Bahia e duas do Ponto Frio, conforme dados do próprio site da companhia. Dessas, 18 fecharam de uma só vez na sexta-feira, segundo informações divulgadas pela imprensa do estado.
Restaram apenas cinco unidades em território catarinense: Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Brusque e uma loja em Joinville. Todas as demais cidades que tinham a rede perderam a operação no mesmo dia.
Em Criciúma, no Sul do estado, um comunicado foi fixado na fachada da unidade informando aos clientes o encerramento das atividades. No texto, a empresa agradeceu pela “dedicação, confiança e parceria” durante o período de funcionamento da loja.
Prejuízo bilionário
O tamanho da crise explica a decisão. Ainda de acordo com o Valor Econômico, a Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 1,1 bilhão apenas no primeiro trimestre deste ano e vinha enfrentando dificuldades para pagar fornecedores.
O cenário do consumo no país agravou a situação. Entre os fatores apontados para a crise estão os juros altos e a baixa demanda do mercado brasileiro. Pesquisa recente da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 82% das famílias brasileiras estão endividadas.
A rede é uma das mais tradicionais do varejo nacional. Fundada em 1952, a Casas Bahia se consolidou como referência na venda de móveis e eletrodomésticos para a classe trabalhadora, com o crediário como marca registrada. Antes do corte, o grupo somava 1.039 lojas no Brasil.
E quem comprou nas lojas fechadas?
Para os consumidores catarinenses que têm compras em andamento, crediário ativo ou garantia de produtos adquiridos nas lojas fechadas, a orientação é buscar os canais oficiais de atendimento da companhia, que segue operando pelo site, pelo aplicativo e pelas unidades remanescentes.
O impacto também recai sobre os trabalhadores. As 1,9 mil demissões anunciadas atingem funcionários de todas as regiões do país, incluindo as equipes das 18 lojas fechadas em Santa Catarina. A empresa não detalhou quantos postos de trabalho foram cortados no estado.
O grupo ainda não informou se há previsão de reabertura de unidades ou de novos fechamentos nas próximas semanas. O site da companhia, até a tarde de sexta-feira, ainda não havia atualizado o número de lojas em operação após o corte.
O fechamento também rendeu cenas de emoção. Um funcionário com 21 anos de casa gravou um desabafo ao descobrir, em reunião, que a loja onde trabalhava estava entre as fechadas. Veja o relato emocionante.





















