Com o microfone na mão e o projeto da megaloja já apresentado, o prefeito de Tijucas, Maickon Sgrott, resolveu fazer em público a pergunta que, segundo ele, a população não para de repetir. “Só vou questionar uma coisa. Claro que eu sei que o projeto está sendo entregue. Eu fui muito questionado por isso. Por isso que eu me sinto no dever de só transmitir o questionamento. Vai ter cinema?” A resposta veio na hora, e foi não.
“Não, não vai ter cinema na Havan, e vou explicar por quê. Porque o shopping vai fazer cinema”, disse o diretor de expansão da rede, Nilton Hang. Conforme o executivo, o empreendimento já tem um projeto antigo para salas de exibição que agora sairia do papel, e a rede evitou sobrepor as duas coisas no mesmo raio. “Então não caberia ter cinema na Havan e no shopping.”
Quem veio no lugar de Hang
A cena em Tijucas fugiu do roteiro que a Havan costuma repetir quando desembarca em uma cidade nova. Em outras praças, é o próprio Luciano Hang quem aparece na prefeitura, cobra celeridade e transforma a liberação de alvará em ato público. Em Paranaguá, no Paraná, recebeu o documento definitivo das mãos do prefeito e elogiou a rapidez dos trâmites. Em Joinville, foi à Câmara de Vereadores expor as dificuldades com licenciamento. Em Rondonópolis, no Mato Grosso, atacou publicamente a gestão anterior pela demora no alvará. Em Tijucas, o dono da rede não veio, e quem conduziu o anúncio foi o diretor de expansão.
R$ 110 milhões e 200 vagas
Os números apresentados são de outra escala em relação ao que a própria Havan divulgou quando confirmou a chegada à cidade. O investimento anunciado agora é de R$ 110 milhões, em uma estrutura de 20 mil metros quadrados de área construída, distribuída em dois pisos, com garagem no nível térreo e na frente do prédio. A loja deve operar com cerca de 300 mil itens e crédito próprio parcelado em até dez vezes sem juros.
O ponto que o executivo fez questão de sublinhar foi outro. “Duzentos empregos, que é a coisa mais importante, são os empregos que a gente dá. Um emprego de qualidade, é um dos melhores salários de comércio do país. Pagamos 14 salários por ano e 15 com as gratificações”, afirmou Nilton Hang, ao detalhar as 200 vagas diretas previstas para a unidade.
A justificativa comercial para escolher Tijucas passa pelo esgotamento das lojas vizinhas. “Nossas lojas aqui, tanto de Itapema quanto de Porto Belo, já se tornaram pequenas. Hoje a gente não consegue mais expandi-las”, disse o diretor. “Então essa loja aqui, além de atender a população de Tijucas, vai também atender esse excesso de Itapema e de Porto Belo.”
O projeto engordou desde o anúncio inicial. Quando a rede confirmou publicamente a operação em Tijucas, falava-se em cerca de 10 mil metros quadrados no quilômetro 165 da BR-101, no bairro Sul do Rio, ao lado do outlet, com previsão de inauguração no primeiro semestre de 2026. A área construída apresentada agora é o dobro, e o cronograma de abertura não foi detalhado durante o anúncio.
A promessa da prefeitura
Do lado da prefeitura, o discurso foi de porta aberta. Sgrott agradeceu a presença da equipe da Havan, lembrou que Tijucas completa 166 anos e que a rede chega ao aniversário de 40 anos de história, e assumiu compromisso público com a tramitação. “A gente vai dar total agilidade nisso, pra que vocês cumpram o cronograma de vocês. A gente sabe que quando vocês colocam no cronograma, a obra acontece.”
O prefeito também amarrou o anúncio ao calendário político. “No momento que a gente vê o país, até de uma certa maneira, num período pré-eleitoral, que antecede a eleição, muita especulação do que vem pela frente no Brasil, hoje o investimento desse porte representa muito para a cidade.”
Uma cidade rumo aos 100 mil
A cobrança pelo cinema, segundo o próprio Sgrott, nasce da velocidade com que Tijucas mudou de tamanho. “Tijucas, há pouco tempo atrás, tinha 20 e poucos mil habitantes. Há pouco tempo atrás, eu digo 20 anos. Ela é uma cidade muito pacata, muito acanhada, mas às margens da BR, com o litoral belíssimo, um rio, e de repente ela passou para 30, 50, 60, e nós vamos a 100 muito rápido.” Na conta dele, quem passa dos 100 mil habitantes começa a exigir o que ainda falta. “Por que não tem o McDonald’s? Por que não tem uma loja grande de departamentos? As pessoas indagam. E eu fui muito indagado. O McDonald’s já chegou.”
Ouvida a negativa, o prefeito devolveu a resposta ao público que o cobrou.
Você respondeu não para mim, você respondeu para a população.
Além do projeto do shopping, o executivo citou o outlet de Porto Belo, que deve inaugurar salas no fim do ano e que, pela proximidade, também pesou na decisão de não duplicar a estrutura. O empreendimento vizinho já havia anunciado uma etapa de expansão que inclui cinema.
Sem data de inauguração divulgada, a megaloja de Tijucas entra agora na fase de trâmites municipais, com a prefeitura prometendo celeridade para que o cronograma da rede seja cumprido. A unidade integra o ciclo de expansão com que a Havan pretende fechar 2026 na marca de 200 megalojas em todo o país.






















