A reforma tributária pode fazer as indústrias abandonarem Santa Catarina. O alerta é do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), candidato a deputado federal, que falou sobre o tema em entrevista ao Jornal Razão, em Tijucas.
Para Colombo, a mudança é radical demais para o prazo previsto. Hoje a tributação acontece na produção e, com a reforma, passa a ser cobrada no consumo. Na avaliação dele, isso favorece estados populosos como São Paulo e pesa contra Santa Catarina, que tem cerca de 8 milhões de habitantes e uma economia voltada à produção e à exportação.
“E a reforma tributária, com essa mudança profunda, ela não tá preparada”, disse o ex-governador, que defende adiar o início da aplicação por mais cinco anos para debater e ajustar o modelo.
O exemplo que ele usa para explicar o risco vem da mesa do supermercado. Segundo Colombo, cerca de 70% do custo de produtos como presunto, queijo e carne é comida para os animais. Para ser o maior produtor de suínos do Brasil, o segundo de aves e o quarto de leite, Santa Catarina precisa trazer de fora cerca de 6 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja e milho.
Esse transporte encarece a produção. Frete e viagem tornam mais vantajoso instalar as fábricas perto da matéria-prima, no Mato Grosso ou no norte do Paraná, onde o insumo custa menos. Para compensar essa diferença, o governo catarinense abre mão de imposto e mantém as indústrias no Estado.
“Com a reforma tributária, isso acaba, né? E aí nós vamo perder as nossas fábricas”, afirmou Colombo. De acordo com ele, sem o incentivo as empresas tendem a se mudar para onde está o insumo principal.
O ex-governador reconhece pontos positivos no projeto. Ele considera interessante unificar os impostos e reduzir a burocracia, mas avalia que a aplicação vai provocar uma revolução em um sistema que funciona há mais de cem anos. “Se a empresa não se adaptar, ela vai falir, ela não suporta”, declarou.
Colombo também aponta um efeito sobre as cidades pequenas. Com a arrecadação ligada ao consumo, municípios com pouca população teriam dificuldade para participar da divisão dos recursos. Na visão dele, isso empurraria moradores para os grandes centros e ameaçaria uma das vantagens do Estado, a boa distribuição da população pelo território.
Ao falar da própria gestão, o ex-governador lembrou que reduziu impostos durante a crise econômica de 2013 e 2014. No setor têxtil, segundo ele, o ICMS caiu de 17% para 2% para enfrentar a concorrência das roupas chinesas, e a medida recuperou as empresas catarinenses. A mesma lógica, disse, foi aplicada à maçã, ao alho e ao suíno.
Colombo também comentou a afirmação do governador Jorginho Mello (PL) de que não aumentou impostos. “Ele não tá mentindo, mas ele mudou a base de cálculo”, disse. Segundo o ex-governador, a alíquota da gasolina segue em 25%, mas a base de cálculo atual é mais alta do que na gestão dele, o que eleva a arrecadação.
A reforma tributária é uma das três bandeiras que Colombo diz que vai levar para Brasília se for eleito, ao lado da infraestrutura e da atuação na pauta nacional. “A reforma tributária precisa ser melhor estudada. Ela não tá pronta”, concluiu.
















