O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (16), um dia depois da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a abertura de investigação contra ele. Segundo Lula, o ministro prestou “grandes serviços à democracia brasileira” quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A declaração foi dada em entrevista ao podcast Desce a Letra e chega em meio à maior crise interna do Supremo dos últimos anos.
Ao justificar o elogio, o presidente recorreu diretamente à eleição de 2022 e ao adversário que enfrentou nas urnas. “Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez pra destruir a credibilidade das urnas brasileiras”, afirmou.
A fala ocorre 24 horas depois de uma sessão extraordinária transmitida ao vivo para todo o país e marcada por bate-bocas entre ministros.
Na terça-feira (15), o plenário se reuniu para analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O julgamento não chegou ao fim. A análise foi interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, movimento que suspende o caso e adia a decisão sobre o futuro de Moraes.
A sessão teve atritos raros entre integrantes da Corte. Kassio Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, afirmando que decidiu sair da votação para preservar o tribunal.
Luiz Fux confrontou o decano Gilmar Mendes ao dizer que existe hoje uma “PF paralela” monitorando ministros, e André Mendonça elevou a voz e mandou o colega se calar em pleno plenário.
Dino afirmou que o julgamento corria o risco de virar “uma espécie de acerto de contas” e citou insatisfações de Elon Musk, Donald Trump e dos condenados pelo 8 de janeiro com decisões tomadas por Moraes.
O próprio Moraes tomou a palavra para rebater o presidente da Corte, Edson Fachin, e sustentar que o que estava em julgamento era um pedido de extinção do procedimento, não a abertura de investigação.
Já no fim da sessão, Cármen Lúcia pediu desculpas ao país pelo rumo tomado pelo plenário, falou em espetacularização do caso e negou que os ministros estejam decidindo sob pressão.
Com o pedido de vista, não há data definida para o Supremo retomar a análise, e o caso deve seguir dominando a agenda da Corte nas próximas semanas.




















