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Eleições 2026

“Levei tiros de borracha, presidente”: Lula liga para candidata petista presa pela PMSC em Jaraguá do Sul

Em vídeo que circula nas redes, Fernanda Klitzke conta ao presidente que levou tiro de borracha, chute e mata-leão; PM diz que ela tentou tomar a espingarda de um policial

“Levei tiros de borracha, presidente”: Lula liga para candidata petista presa pela PMSC em Jaraguá do Sul
Foto: Reprodução
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O caso de Jaraguá do Sul chegou de vez ao gabinete presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou pessoalmente para Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente na chapa de Décio Lima ao Senado, presa pela Polícia Militar na noite de sábado (12), no bairro Água Verde. A conversa foi gravada em vídeo e passou a circular nas redes sociais, com a candidata relatando ao presidente, em tom de desabafo, a abordagem que terminou com ela dentro de uma viatura.

“Eu levei tiros de borracha, presidente, chute, tiro de borracha, também mata-leão”, diz Fernanda logo no início do vídeo. Ela conta a Lula que foi colocada “no camburão” e, na mesma frase, já emenda o discurso de campanha: “A gente precisa fazer essa transformação”. Perguntada pelo presidente sobre a situação, responde que “já tá tudo sob controle”.

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O tom do telefonema é de afago. Lula oferece um abraço, e a candidata devolve com um pedido: “Eu também quero lhe dar, só preciso me prometer que a gente vai fazer diferente, que a gente vai mudar”. Na despedida, ela agradece “pelo carinho” e deseja “uma boa agenda” ao presidente, que encerra com “beijo e bom domingo, querida”.

Ligação do presidente Lula à candidata Fernanda Klitzke. Reprodução/Redes sociais

Depois de desligar, Fernanda segue falando para a câmera. “Que querido, né? A gente precisa mudar, né, esse mundo. A gente precisa transformar tudo isso. Tanta gente boa junto, tanto carinho”, diz. Em seguida, elogia o estado e a cidade onde foi presa: “Santa Catarina é tão bonita, né? Minha cidade é a cidade que é considerada a cidade mais segura no Brasil”.

A frase que mais chama atenção vem no fim. “Eu fico pensando que as pessoas que não podem ter esse privilégio que eu tenho de entender a lei e de saber o que tá acontecendo, a gente tem que transformar”, afirma a candidata. A menção ao próprio conhecimento jurídico ecoa um trecho da versão policial: segundo a PM, durante a abordagem ela disse aos policiais que era advogada, “futura senadora” e que eles “não sabiam com quem estavam mexendo”.

Não é a primeira vez que o caso chega a Lula por telefone. A deputada federal Ana Paula Lima (PT), mulher de Décio Lima, já tinha gravado e publicado a própria ligação ao presidente, dizendo que a candidata só “tentava apaziguar” e que a polícia agiu com raiva por se tratar de uma festa de petistas. Agora, o próprio presidente da República aparece do outro lado da linha, falando direto com a candidata presa.

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A versão da Polícia Militar é bem diferente da contada ao presidente. Pelos policiais, tudo começou com a ligação de uma mãe ao 190: um carro com som alto parado em frente à casa dela tinha deixado o filho autista agitado, e o homem do veículo teria partido para cima dela. A guarnição prendeu esse homem por desacato numa festa na mesma rua, e a ocorrência escalou quando integrantes do grupo avançaram sobre os policiais. Fernanda teria segurado uma policial, ajudado a tirar outra presa da contenção, ignorado quatro disparos de munição de borracha e tentado arrancar a espingarda das mãos de um policial. Uma policial saiu da ocorrência com ferimento no dedo.

A existência da mãe chegou a ser contestada pela chapa petista. Décio Lima chamou a versão de “narrativa falsa”, mas a moradora enviou ao Jornal Razão vídeo ao lado do filho e o laudo de autismo da criança, assinado por pediatra com registro no CRM-SC. O áudio da ligação ao 190, gravado antes de qualquer viatura sair, registra a frase “meu filho é autista”.

Do outro lado, vídeos que somam quase 30 minutos, gravados por quem estava na festa, mostram a candidata sendo atingida por disparos de borracha, supostamente recebendo chutes e sendo imobilizada com um mata-leão antes de entrar na viatura. Em entrevista, Fernanda afirmou que estava tentando acalmar a situação “na qualidade de advogada” quando foi derrubada ao chão.

O caso já virou guerra aberta de campanha. O PT acionou a Polícia Federal pedindo investigação independente e acusando o governo estadual de usar a polícia contra a oposição. O governador Jorginho Mello (PL) saiu em defesa dos policiais e da moradora, disse que a esquerda tentou montar uma “armadilha” contra a PM e avisou que os petistas “estão no estado errado”.

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Fernanda Klitzke e as outras duas pessoas presas foram autuadas por desacato, desobediência e resistência e ficaram à disposição da Polícia Civil. Com o presidente da República agora pessoalmente envolvido, a disputa pela versão de Jaraguá do Sul ganha peso nacional a menos de três semanas da eleição.

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