Aos 30 anos, Fábio L. Ferreira era surfista, modelo, fazia halterofilismo e tinha o próprio negócio. Em uma madrugada de domingo, em 21 de setembro de 2003, voltava da noitada em Balneário Camboriú com cinco amigos rumo à praia de Palmas quando o carro capotou em uma curva. Ele voou pelo para-brisa, caiu sobre o próprio pescoço e quebrou três vértebras. Acordou do coma 30 dias depois, na UTI, tetraplégico.
Vinte e dois anos depois, Fábio tem 53 anos e mora em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Mexe apenas a cabeça. Perdeu por completo os movimentos e a sensibilidade do corpo. Depende de outras pessoas para comer, tomar banho e trocar fraldas. Mas mantém uma certeza que repete a quem o procura.
“Tem gente que pensaria em se matar, jogar a cadeira na frente de um caminhão. Eu não, eu quero viver.”
A noite que mudou tudo
Fábio conta que, antes do acidente, estava afastado da fé. Havia voltado a usar drogas e álcool depois de já ter superado a dependência ainda jovem. “Eu achava que era o cara”, lembra. “Era uma falsa aparência, era como um sepulcro caiado: por fora bonito, por dentro vazio.”
O grupo voltava de Balneário Camboriú para a praia de Palmas, no sul de Santa Catarina. Faltavam dez quilômetros para chegar quando o motorista perdeu o controle em uma curva. O carro capotou várias vezes. Fábio foi arremessado para fora pelo para-brisa.
O traumatismo raquimedular destruiu a movimentação do pescoço para baixo. Os médicos, segundo ele, chegaram a dá-lo como morto durante o coma na UTI.
Casado e pai de dois filhos, Fábio diz que o acidente também testou a família. A esposa permaneceu ao lado dele desde o primeiro dia no hospital e nunca desistiu, mesmo com o quadro de dependência total. Hoje é ela quem cuida da rotina diária.
“Hoje tudo que eu queria era poder surfar e abraçar as pessoas que amo.”

A escolha pela vida
Fábio se diz convertido desde o acidente e atribui à fé a força para não desistir. Ele agora dedica o tempo a contar a própria história a quem encontra, especialmente a jovens. Não cobra nada por isso. Diz que faz porque entende que sua trajetória pode evitar que outras pessoas passem pelo mesmo.