Alan Santos de Jesus, de 27 anos, foi condenado a 30 anos de prisão, em regime fechado, pela morte de Karina Schirmer Soares Pollheim, de 33 anos, espancada durante um roubo dentro de um motel em Brusque, no Vale do Itajaí. Natural da Bahia, o homem foi considerado culpado por latrocínio. A vítima sofreu lesões graves na cabeça e no pescoço e morreu em 4 de maio, depois de passar quase três meses internada.
A sentença foi proferida pela Vara Criminal da Comarca de Brusque. Alan não terá o direito de recorrer em liberdade e continuará preso.
Na definição da pena, a Justiça considerou desfavoráveis a culpabilidade, as circunstâncias e as consequências do crime. A sentença destacou a premeditação da ação, a violência empregada contra Karina e os efeitos provocados pelas agressões até a morte da vítima. A reincidência específica do condenado também foi reconhecida.
Segundo a sentença, Alan atraiu Karina para um encontro em um motel e, no estabelecimento, a agrediu e roubou seus pertences. A investigação apontou que o celular da vítima estava entre os objetos levados.
O crime aconteceu no dia 24 de fevereiro. Imagens do sistema de videomonitoramento mostraram Karina e Alan chegando juntos ao motel, no bairro São Pedro, por volta das 16h15.
Pouco menos de três horas depois, às 19h01, Alan foi registrado deixando o estabelecimento sozinho. Ele pulou o muro e fugiu em uma motocicleta que o aguardava do lado de fora.
Karina ficou para trás. Ela foi encontrada inconsciente no chão do quarto, com sangramento na cabeça e sinais de afundamento de crânio. Equipes de socorro foram chamadas e a encaminharam ao hospital intubada e em estado crítico.
As informações reunidas sobre o caso apontaram ainda que, além das agressões na cabeça, Karina teria sido estrangulada. A lesão no pescoço dificultou o procedimento de intubação durante o atendimento.
Depois da fuga, policiais militares e civis iniciaram buscas pelo suspeito. Alan foi encontrado horas mais tarde escondido em uma kitnet no segundo andar de um imóvel em Brusque.
Com ele, foram apreendidos o celular de Karina, o aparelho utilizado pelo próprio suspeito, um terceiro telefone que poderia ter origem em outro roubo, mais de R$ 2,2 mil em dinheiro, outros pertences da vítima e as roupas que teriam sido utilizadas durante o crime.
Na ocasião da prisão, conforme o registro policial, Alan admitiu ter agredido Karina. Ele também teria confessado participação no roubo de uma caminhonete ocorrido na semana anterior.
A consulta aos sistemas de segurança mostrou que Alan já era procurado pela Justiça quando atacou Karina. Havia contra ele um mandado de recaptura expedido pela Vara Criminal de Itapema por roubo. Ele era considerado foragido e possuía outros registros criminais.
As declarações apresentadas pelo acusado sobre o que aconteceu dentro do motel mudaram ao longo do caso. Durante a audiência de custódia, Alan negou ter espancado Karina e alegou que ela teria caído durante o banho e batido a cabeça.
Na mesma versão, afirmou que saiu do estabelecimento levando os pertences da mulher porque estava foragido da Justiça. Posteriormente, ao ser questionado pela Promotoria sobre o crime, teria declarado que não se lembrava do ocorrido e que havia passado por um “surto”.
O caso também teve mudanças na classificação criminal ao longo da investigação. Inicialmente, as agressões foram tratadas como tentativa de feminicídio. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil concluiu que o ataque ocorreu no contexto de um roubo e passou a investigar Alan por tentativa de latrocínio.
Karina permaneceu internada desde fevereiro. Durante o período, passou por intervenções médicas e enfrentou sucessivas complicações relacionadas às lesões provocadas pelas agressões. Ela morreu em 4 de maio. Com a morte, o crime passou a ser tratado como latrocínio consumado.
A vítima era paulista e trabalhava como terapeuta capilar especializada em cabelos cacheados. Segundo familiares, Karina tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2. Uma profissional de saúde que a acompanhou também confirmou que ela possuía laudo de autismo, embora tenha avaliado que as características apresentadas se aproximavam do nível 1.
No dia do crime, Karina carregava na mochila um crachá que a identificava como pessoa autista. A família também relatou que ela enfrentava depressão.
Karina havia falado publicamente sobre o diagnóstico em um documentário gravado em março de 2024 com outras mulheres autistas. Na ocasião, contou que passou cerca de 30 anos sem diagnóstico e relatou dificuldades relacionadas à rotina, interação social, contato físico e realização de atividades sozinha.
Com informações de O MUNICÍPIO















