Conhecido como o boi mais velho do país, “Tigrinho” morre aos 33 anos e causa comoção em Florianópolis
Parelha do Tigrão, morto no ano passado, o Tigrinho vivia em um terreno de Santo Antônio de Lisboa e fazia parte da rotina de um comerciante conhecido pela preservação da cultura manezinha. Conforme a homenagem publicada nas redes, a morte foi atribuída à idade avançada.
Por Equipe Jornal Razão·17 ago 2026·6 min de leitura·Atualizado há 1 dia
Foto: Reprodução
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No terreno de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, o boi Tubiano ficou ao lado do companheiro de uma vida inteira na hora da despedida. Do outro lado do celular que registrava a cena, a voz falhava. “O boi mais velho do Brasil acabou de morrer”, disse o comerciante conhecido como Seu Fausto, nome ligado à preservação da cultura manezinha no distrito. O Tigrinho tinha 33 anos.
A morte do animal marcou o fim de semana na comunidade, um dos núcleos de colonização açoriana da capital catarinense. O boi era conhecido pelos moradores da região e fazia parte da rotina do comerciante, que mantinha a parelha em um terreno cedido no bairro, à vista de quem passava.
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Tigrinho formava dupla com o Tigrão, morto no ano passado. “O primeiro já foi e o segundo está indo agora”, disse o comerciante no registro feito ao lado do animal. Da parelha original restou o Tubiano, que permaneceu no terreno durante a despedida e é hoje o último dos bois criados ali por ele.
ASSISTA AO VÍDEO
Registro feito no terreno de Santo Antônio de Lisboa mostra o Tubiano ao lado do companheiro na despedida.
Parte da família
Na homenagem publicada em seguida, o comerciante descreveu o vínculo construído ao longo dos anos.
“Eles foram tratados com amor, carinho e respeito durante toda a vida. Deixaram de ser apenas animais e se tornaram parte da família.”
Trinta e três anos
A idade é o que transformou a morte de um boi em notícia. Nos comentários da homenagem, um guia de turismo especializado na cultura manezinha afirmou que animais criados nessa função costumam viver entre 22 e 25 anos, e atribuiu a longevidade do Tigrinho ao cuidado recebido. Segundo o mesmo relato, no tempo em que havia engenho de boi na região, os animais eram usados por cerca de uma hora, apenas para demonstração.
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Questionado por seguidores sobre o que teria acontecido, o perfil que publicou a homenagem respondeu que o animal já estava muito velho. Nenhuma outra causa foi informada.
O terreno e os amigos
Na despedida, o comerciante fez questão de citar quem sustentou a criação ao longo dos anos: o Beto, proprietário do terreno onde os bois sempre ficaram, e o Jorge, amigo que cuidava do espaço, acompanhava os animais de perto e foi quem avisou da morte do Tigrinho. “Meu muito obrigado ao Beto, ao Jorge e a todos que ajudaram a cuidar desses animais durante tantos anos”, escreveu.
A dupla também carrega um episódio antigo. Um morador afirmou nos comentários que os bois chegaram a ser levados do terreno anos atrás e devolvidos depois. O perfil confirmou que se tratava dos mesmos animais, sem dar detalhes de quando ou como o caso terminou.
A despedida
A publicação reuniu mensagens de moradores de Santo Antônio de Lisboa, de guias de turismo e de perfis dedicados às tradições açorianas do litoral catarinense, além de gente de outras cidades que conhecia a dupla de vista, das voltas pelo distrito. Boa parte das manifestações se dirigiu ao comerciante, lembrado por cuidar dos animais em qualquer clima.
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O próprio encerrou a homenagem com uma imagem que corre nas comunidades de tradição açoriana: “Que Deus receba o Tigrinho no céu dos bois, junto de tantos outros animais que fizeram parte das nossas vidas.”
O Tubiano segue no mesmo terreno, sob os cuidados do comerciante e dos amigos que o ajudam na lida. “Descanse em paz, Tigrinho. 33 anos de história não serão esquecidos”, escreveu o dono no fim da despedida.