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Professor “tiktoker” preso pela PF em Blumenau é solto no mesmo dia: “milhares de vídeos”

Professor de matemática de 24 anos foi detido às 6h com milhares de arquivos de abuso sexual infantil na casa dos pais, no Itoupava Central, e deixou a Central de Audiência de Custódia às 19h05 por decisão judicial.

Professor “tiktoker” preso pela PF em Blumenau é solto no mesmo dia: “milhares de vídeos”
Foto: Reprodução
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Preso pela Polícia Federal às 6h desta terça-feira (1º) com milhares de arquivos de abuso sexual infantil, o professor de matemática João Vítor Rischter, de 24 anos, já estava em liberdade às 19h05. Ele deixou a Central de Audiência de Custódia de Blumenau por decisão judicial pouco mais de 13 horas depois de ser detido na casa dos pais, onde mora, no bairro Itoupava Central, na região norte da cidade.

Natural de Blumenau, Rischter dá aulas de matemática e construiu público nas redes sociais como tiktoker e criador de conteúdo voltado à educação. Ele foi preso em flagrante durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal. Nos equipamentos eletrônicos apreendidos na residência, os policiais federais encontraram milhares de arquivos com cenas de sexo explícito envolvendo crianças e adolescentes de diferentes idades, o que fez o professor deixar a condição de investigado e ser autuado ainda dentro de casa. A Polícia Federal não divulgou oficialmente a identidade do preso.

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O delegado Rivas, responsável pela ação, detalhou o caso em entrevista ao AJ Notícias, que acompanhou a chegada do preso à delegacia da Polícia Federal em Blumenau. “Cumprimos hoje um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal em razão da suspeita de que essa pessoa estaria na posse ou compartilhando imagens contendo cenas de sexo explícito ou pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes”, explicou.

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Segundo o delegado, o volume localizado chamou a atenção da equipe. “Foram encontrados milhares de arquivos nas mídias que foram arrecadadas no local, com diferentes idades dessas crianças e adolescentes”, afirmou.

A Polícia Federal ainda não sabe dizer se o professor apenas baixava e guardava os arquivos, se os repassava a outras pessoas ou se produzia conteúdo com vítimas. “O que foi encontrado até agora foram as imagens armazenadas. Não é possível ainda afirmar se essas imagens foram produzidas pelo investigado. Todo material vai ser submetido à perícia e vai instruir o inquérito pertinente, e aí vai ser identificado se essas imagens foram tão somente baixadas, compartilhadas ou se de fato ele produzia algum conteúdo nesse sentido”, disse Rivas ao AJ Notícias.

Preso às 6h, solto às 19h05

Na manhã da prisão, a expectativa da PF era de que o professor fosse para o presídio. “Ele está sendo autuado em flagrante, ele vai ser ouvido, o material vai ser todo submetido à perícia e em seguida ele vai ser encaminhado para a unidade prisional aqui de Blumenau”, afirmou o delegado. Rischter deu entrada na Central de Audiência de Custódia de Blumenau pouco antes das 13h e saiu às 19h05, com registro de liberação por decisão judicial.

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O teor da decisão que autorizou a saída não foi divulgado. Não se sabe, até a publicação desta reportagem, se a Justiça concedeu liberdade provisória com medidas cautelares, como proibição de contato com menores e de acesso à internet, ou se relaxou a prisão. Todo preso em flagrante passa por audiência de custódia em até 24 horas, quando o juiz decide se mantém a detenção ou se o investigado responde solto. A soltura não encerra o inquérito nem afasta a suspeita.

O que diz a lei

A conduta atribuída a ele está prevista no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, que pune quem adquire, possui ou armazena fotografia, vídeo ou qualquer registro com cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, com pena de um a quatro anos de reclusão e multa. A pena máxima ajuda a explicar a liberação rápida: pelo Código de Processo Penal, a prisão preventiva é admitida, em regra, apenas para crimes com pena máxima superior a quatro anos, e o armazenamento fica exatamente no limite. O cenário muda se a perícia apontar compartilhamento, enquadrado no artigo 241-A, com pena de três a seis anos, ou produção do material, prevista no artigo 240, com pena de quatro a oito anos.

Em nota, a Polícia Federal informou que o homem era investigado por armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil por meio de plataformas digitais e que o objetivo da apuração agora é identificar possíveis coautores e eventuais vítimas ligadas ao caso. A corporação não detalhou o que levou a investigação até o professor nem há quanto tempo ele estava sendo monitorado.

A prisão chama atenção pela dupla vida do investigado. Em sala de aula, ensinava matemática. Na internet, era conhecido como influenciador digital no segmento de educação, mostrando a rotina de professor para os seguidores. A Polícia Federal não informou em que instituição ele lecionava nem se a escola foi comunicada da prisão.

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A PF aproveitou o caso para reforçar orientações a pais e responsáveis: acompanhar o uso da internet por crianças e adolescentes, manter diálogo aberto sobre segurança digital e orientar os filhos a comunicar qualquer situação suspeita, o que ajuda a identificar riscos e proteger possíveis vítimas.

Rischter está em liberdade enquanto os equipamentos apreendidos passam pela perícia da Polícia Federal. O inquérito corre na Justiça Federal e, segundo a PF, a análise do material vai definir a extensão das acusações e se há outras pessoas envolvidas.

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