A Prefeitura de Criciúma desmontou nesta quarta-feira (21) o chafariz interativo do Parque dos Imigrantes, no distrito de Rio Maina. O equipamento tinha sido inaugurado há pouco mais de quatro meses, em 10 de junho. A retirada cumpre uma decisão da Justiça Federal.
Segundo nota da prefeitura, a desmontagem do chafariz e a remoção de vegetação no parque atendem a uma decisão da 4ª Vara Federal de Criciúma, em processo decorrente da Ação Civil Pública do Carvão. Ainda conforme a prefeitura, o equipamento será instalado em outro espaço público, que ainda será definido.
Na manhã desta quarta-feira, uma retroescavadeira quebrou a base de concreto onde ficavam os jatos de água. Um grupo de moradores acompanhou o trabalho de perto, ao lado da área do chafariz.
O vereador Neto Uggioni gravou um vídeo no parque durante a desmontagem e publicou nas redes sociais. Ele contou que foi diretor do parque por dois anos, desde o início da obra, e que entregou o chafariz quando era prefeito interino. “É de revoltar qualquer cidadão”, disse.

No vídeo, o vereador afirma que o prefeito buscou as medidas cabíveis para tentar evitar a retirada. Ele questiona por que a base não foi mantida para virar, por exemplo, uma mini pista de skate para as crianças. “A Justiça determinou, tem que fazer. Quem paga é o poder público”, afirmou.
Na legenda da publicação, Neto Uggioni escreveu que respeita as decisões judiciais, mas lamentou que a conta fique com a população, com o dinheiro dos impostos.
O chafariz foi inaugurado em 10 de junho, quando Neto Uggioni estava no exercício do cargo de prefeito. Segundo reportagem do JPanorama na época, o equipamento tinha 19 jatos de água, 18 jatos auxiliares e projetores de luz no chão, com capacidade para até 45 pessoas ao mesmo tempo. Criciúma também tem chafarizes interativos no Parque da Prefeitura e no Parque Santa Luzia.
A Ação Civil Pública do Carvão foi ajuizada pelo Ministério Público Federal em 1993 e cobra a recuperação das áreas degradadas pela mineração de carvão no Sul de Santa Catarina. Em julho de 2025, o MPF e a Justiça Federal fizeram uma inspeção em obras da prefeitura em áreas atingidas pela mineração, entre elas no Rio Maina.
Na ocasião, segundo o MPF, obras do município tinham sido feitas sem as medidas ambientais necessárias e violavam as restrições de uso dessas áreas. O órgão pediu que a prefeitura fosse proibida de fazer obras nas áreas do passivo da ação, salvo em emergências.
Até a publicação desta reportagem, a prefeitura não havia informado quanto custou o chafariz nem para onde ele será levado.
Vídeo: vereador Neto Uggioni (@netouggioni)/Reprodução. Fotos: Reprodução/Internet.
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