O canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou de 7 milhões de seguidores nesta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno. Segundo o Congresso em Foco, o canal marcava 7.193.569 inscritos às 11h52.
Depois da marca, políticos e perfis de direita passaram a espalhar nas redes como é simples comprar seguidores para canais do WhatsApp e acusam Janones de usar a prática para inflar o número.
O JR entrou em sites que vendem esse serviço. Em alguns deles, a oferta fica, em média, em R$ 1.500 por 50 mil membros. No Popularos, 10 seguidores custam R$ 3,90 e 10 mil saem por R$ 1.390. No MaizUp, 500 membros custam R$ 37,99, com entrega prometida entre 15 minutos e 72 horas. O BoostGrams vende pacotes de 50 a 10 mil membros. Para comprar, basta escolher o pacote, colar o link do canal e pagar. Os sites não pedem senha.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (20) para que a Meta explique por que o WhatsApp não identificou sinais de comportamento coordenado no canal. Na petição, segundo o Poder360, a defesa afirma que o conteúdo do canal está “artificialmente inflado nas redes, mediante manipulação algorítmica”.
O canal já tinha virado alvo de disputa no tribunal. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, chegou a mandar suspender o “Exército do Lula”, mas a ordem foi derrubada pelo corregedor da Corte, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Até agora, não há prova pública de que o canal tenha comprado seguidores. Janones atribui parte do crescimento às tentativas de suspender o canal no TSE. A “Tropa do Flávio”, canal criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em resposta, reúne cerca de 2 milhões de seguidores.
O JR procurou a campanha do presidente Lula para comentar as acusações, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Fontes: Congresso em Foco e Poder360.
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