“Agora segura aí, marginal.” Foi assim que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) respondeu nesta quarta-feira (21) ao desafio do presidente Lula (PT) para abrir os sigilos bancário e telefônico. A fala foi feita em cima do palco, durante um evento de campanha no Espaço Inter, em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao lado do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Flávio começou o discurso dizendo que Lula nem tem celular e questionou como o presidente quer abrir o próprio sigilo telefônico. “Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até as últimas consequências”, afirmou o senador, sob aplausos dos apoiadores.
Em seguida, falando diretamente com Lula, o candidato disse que quem recebe as ligações do presidente é Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Flávio acusou Marcola de abrir as portas dos ministérios para os negócios de Lulinha, filho do presidente, e afirmou que abre o próprio sigilo do telefone, mas que “o Marcola tem que abrir o dele”.
No mesmo discurso, Flávio cobrou que Lula tire o sigilo dos gastos do cartão corporativo dele e da primeira-dama Janja e o sigilo sobre quem visitou o Palácio da Alvorada. O senador também citou a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e perguntou se a casa usada pelo filho do presidente estaria no nome dela.
As condições foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em petição. A campanha do PL pede os sigilos bancário e telemático de Lulinha, do Instituto Lula e de Marcola, a agenda de Janja, os gastos com cartões corporativos da Presidência e os registros de entrada do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nos palácios do Planalto e da Alvorada.
No palco, Flávio também atacou o patrimônio de Lula e disse que o dele é declarado à Justiça Eleitoral e à Receita Federal. “Minha vida é um livro aberto”, afirmou.
O desafio partiu de Lula no debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), o primeiro do segundo turno. Na terça-feira (20), o presidente entregou ao TSE um documento que autoriza a liberação dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico e dos da família, nos últimos oito anos, desde que Flávio faça o mesmo.
Depois do evento em Guarulhos, Flávio seguiu para compromissos de campanha no Nordeste. O segundo turno é no domingo (25), e antes disso os dois candidatos se enfrentam no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23).
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