O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio do presidente Lula (PT) para abrir os sigilos bancário e telefônico, mas impôs condições. A quatro dias do segundo turno, o senador exigiu que o adversário abra os dados de pessoas próximas, do Instituto Lula e dos gastos com cartão corporativo da Presidência.
O anúncio foi feito durante agenda em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Flávio citou Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. “Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até as últimas consequências”, disse o candidato. Em seguida, falando com Lula, emendou: “Você não tem celular. Sabe quem recebe as ligações por você? O Marcola”.
Na mesma fala, Flávio acusou Marcola de abrir as portas dos ministérios para os negócios de Lulinha, filho do presidente. “Então eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, afirmou.
O senador também colocou entre as condições o Instituto Lula e os gastos com o cartão corporativo de Lula e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. No mesmo discurso, cobrou que o presidente tire o sigilo sobre quem visitou o Palácio da Alvorada.
As exigências foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em petição. No documento, a campanha do PL pede os sigilos bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do Instituto Lula e de Marcola, além da agenda de Janja e da divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência.
A lista também inclui o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio pede os registros de entrada de Vorcaro e de intermediários dele nos palácios do Planalto e da Alvorada, entre eles o ex-ministro Guido Mantega. O PL quer ainda a lista de quem visitou o banqueiro enquanto ele esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, registros que hoje estão sob sigilo.
Sobre Vorcaro, a petição pede também a relação de passageiros do jatinho do banqueiro entre 10 e 20 de novembro de 2025. O período inclui a primeira prisão dele, determinada pela Justiça Federal de Brasília no dia 17 daquele mês.
Outro pedido envolve a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A campanha quer saber quando ela entrou no Planalto e no Alvorada, de quais reuniões participou em órgãos federais e se viajou em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
O desafio partiu de Lula no debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), o primeiro do segundo turno. Na terça-feira (20), o presidente entregou ao TSE um documento que autoriza a liberação dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico e dos da família, entre eles Janja e Lulinha, desde que Flávio faça o mesmo.
A proposta de Lula vale para os últimos oito anos e prevê a ampla divulgação dos dados à população.
O segundo turno da eleição presidencial é no domingo (25). Antes disso, os dois candidatos voltam a se enfrentar no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23).
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