O El Niño deve entrar em uma fase de maior intensidade nos próximos meses, com mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” entre setembro e novembro de 2026. O cenário aumenta a atenção para ondas de calor e temperaturas acima da média em grande parte do Brasil durante a primavera.
O fenômeno está estabelecido no Oceano Pacífico desde junho e deve permanecer pelo menos até o início de 2027. Segundo o Painel El Niño 2026-2027, formado por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a tendência é de intensificação durante a primavera e o verão.
Projeções internacionais também apontam para um episódio de forte intensidade. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 69% a possibilidade de o El Niño 2026/2027 se tornar o mais forte registrado desde 1950.
O período de maior atenção deve ocorrer entre outubro de 2026 e março de 2027. O Ministério da Saúde já apresentou um plano de preparação para os possíveis impactos do fenômeno, que incluem seca, estiagem, queimadas, ondas de calor, temporais e chuvas intensas, dependendo da região do país.
Ondas de calor preocupam
Um dos principais pontos de atenção é o aumento das temperaturas. Estudos do Cemaden mostram que as ondas de calor ficaram mais frequentes e duradouras no Brasil nas últimas quatro décadas, com crescimento das ocorrências em todos os estados, principalmente a partir dos anos 2000.
Os dados também apontam uma relação entre episódios recentes de El Niño e períodos com maior ocorrência de calor extremo. Segundo o Cemaden, os eventos de 2015/2016 e 2023/2024 coincidiram com aumento das ondas de calor, dentro de uma tendência relacionada também ao aumento da temperatura global.
Em 2023, foram identificadas oito ondas de calor no Brasil. Em 2024, o número chegou a dez, enquanto sete episódios foram registrados em 2025. O levantamento considera uma onda de calor quando as temperaturas máximas permanecem entre os 10% dos valores mais elevados da média climatológica por pelo menos três dias consecutivos.
Para os próximos meses, as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional. No Sudeste, o cenário associado ao El Niño inclui possibilidade de ondas de calor e temporais. Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste podem enfrentar redução das chuvas e prolongamento do período seco.
Efeitos serão diferentes pelo país
No Sul, o principal impacto esperado é o aumento das chuvas. A previsão aponta volumes acima da média principalmente no Rio Grande do Sul, com possibilidade de episódios de chuva intensa, cheias e inundações. Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também apresentam tendência de precipitação acima da média entre setembro e novembro.
Já as regiões Norte e Nordeste, além de áreas de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, têm maior possibilidade de chuva abaixo da média.
Na Amazônia Legal e no Pantanal, a combinação entre temperaturas elevadas e redução das chuvas pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e criar condições para a propagação de incêndios florestais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e modifica os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta. Os efeitos, no entanto, não ocorrem da mesma forma em todas as regiões e dependem também da atuação de outros sistemas meteorológicos.















