Alice das Graças Teodoro, de 54 anos, morreu neste domingo (6), oito dias depois de um homem invadir o restaurante do qual ela era proprietária, no bairro Fátima, em Joinville, e atear fogo no salão. Alice não tinha nenhuma relação com o motivo do ataque, não conhecia a briga que levou o agressor até ali e não era alvo de ninguém. Ela estava no próprio comércio, num sábado de manhã, trabalhando.
Quem o homem procurava era outra pessoa. Longino Dias Batista, de 48 anos, chegou ao restaurante no dia 29 de agosto atrás da ex-companheira, cozinheira do estabelecimento, inconformado com o fim do relacionamento. A mulher não estava no expediente naquela manhã. Ele não foi embora.
Longino entrou carregando um galão de combustível e um fósforo. Cinco pessoas estavam dentro do imóvel quando ele espalhou o líquido pelo salão. Funcionários e testemunhas perceberam o fósforo na mão dele e tentaram impedir o ataque, sem sucesso. O fogo tomou o restaurante em segundos.
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Alice não fugiu. Ficou lá dentro, no meio das chamas, tentando salvar o restaurante que levantou com o próprio trabalho e tirar dali os funcionários que estavam presos com ela. Foi assim que a dona do estabelecimento acabou entre as pessoas mais atingidas pelo fogo.
Mãe e filha ficaram internadas na UTI
Alice e a filha, de 24 anos, saíram do local em estado grave, foram levadas ao hospital e internadas na UTI. No início da semana, a família informou que mãe e filha seguiam intubadas e sedadas. Outras duas vítimas também precisaram de atendimento hospitalar, e uma delas recebeu alta nos últimos dias.
Alice não resistiu. Ela permaneceu internada por oito dias e morreu na manhã deste domingo. A filha continua intubada na UTI, sem previsão de alta.
A família aguarda a conclusão da documentação para a liberação do corpo. O local e o horário do velório e do sepultamento devem ser divulgados em seguida.
Homem já havia esfaqueado a mesma mulher em 2024
O ataque que matou Alice não foi o primeiro de Longino contra a ex-companheira. Em 2024, ele invadiu a casa onde a mulher dormia com as netas, arrombou a porta e a atingiu com uma facada nas costas. O filho dela, que mora na casa da frente, ouviu os gritos, correu para defender a mãe e também foi esfaqueado nas costas.
Longino foi preso e passou a responder por tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio. Depois, foi colocado em liberdade. Seguiu procurando a mulher. Segundo a investigação, ela chegou a mudar de endereço para tentar se afastar dele, e ainda assim ele continuou atrás dela, até chegar ao restaurante onde ela trabalhava. Ao todo, o homem acumulava 44 passagens policiais.
Ele não saiu do prédio em chamas e morreu carbonizado no local, no mesmo sábado do ataque.
Perícia encontrou sangue e a carteira do agressor
A Polícia Científica periciou o restaurante depois do incêndio. Marcas de sangue e a carteira de Longino foram encontradas no interior do estabelecimento, além de outros vestígios que devem ajudar a reconstruir a dinâmica do ataque. Os laudos periciais vão instruir o inquérito conduzido pela Polícia Civil.
A investigação apura a origem do combustível usado no crime e a extensão dos danos. Com a morte de Alice, o caso deixa de ser tentativa e passa a ter uma vítima fatal além do próprio autor: uma mulher que não fazia parte da história, não devia nada a ninguém e morreu porque abriu o restaurante dela naquela manhã.















