Santa Catarina é o melhor estado do Brasil para trabalhar e, ao mesmo tempo, o que menos depende do Bolsa Família. Do outro lado do mapa, a Bahia é o estado com mais famílias no programa federal e ocupa a última posição no pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP) com a Tendências Consultoria lançado em 27 de agosto, em São Paulo. É o retrato de dois extremos: onde há carteira assinada, sobra pouco espaço para o benefício.
O pilar Capital Humano é o que mede se a população que trabalha em cada estado está empregada de verdade, com registro, e o quanto produz. São nove indicadores, todos com base em dados do IBGE: formalidade do mercado de trabalho, inserção econômica, inserção econômica dos jovens, subocupação por insuficiência de horas, desocupação de longo prazo, qualificação dos trabalhadores, proporção de trabalhadores com ensino superior, produtividade do trabalho e custo da mão de obra. O peso do pilar na nota final do ranking é de 7,1%.
Santa Catarina lidera esse pilar pelo quarto ano consecutivo, com nota máxima, 100. Atrás dela vêm Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. São Paulo, o estado mais rico do país, aparece apenas em 9º. No fim da lista estão Maranhão (24º), Pernambuco (25º), Sergipe (26º) e Bahia (27º).

O desempenho catarinense se sustenta em números concretos. Segundo o CLP, 75,2% dos ocupados em Santa Catarina têm vínculo formal, a maior taxa do país. A inserção econômica chega a 97,5% e a inserção dos jovens a 90,4%, os dois também os maiores do Brasil. Em formalidade e em emprego jovem, o estado é o primeiro colocado em todas as 11 edições da série do ranking. Já a subocupação por insuficiência de horas, que mede quem trabalha menos do que gostaria, é de 1,2%, a menor do país. Todos os dados têm como base o IBGE de 2025.
Nem sempre foi assim. Até a edição de 2022, Santa Catarina ocupava a 24ª posição em Capital Humano. Em 2023, o CLP reformulou os critérios do pilar e passou a dar peso a emprego, formalidade e inserção dos jovens. O estado saltou 23 posições de uma vez, assumiu a liderança e não saiu mais dela.

O único indicador em que o estado vai mal é o custo médio da mão de obra: R$ 3.725,50, o quarto mais alto do Brasil, o que deixa Santa Catarina em 24º nesse quesito. Na lógica do ranking, salário alto pesa contra, porque encarece a instalação de empresas. Para quem vive do próprio trabalho, é o lado bom da conta.

O mercado de trabalho aquecido aparece também no Bolsa Família. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, apenas 3,9% dos domicílios catarinenses recebiam o benefício em 2025, a menor proporção entre as 27 unidades da federação, contra 17,2% na média nacional. Em 2024, o índice já era o mais baixo do país, com 4,3%. Levantamento do Poder360 com dados do Ministério do Desenvolvimento Social e do Caged, de fevereiro de 2026, mostra que Santa Catarina tem cerca de 12 empregos formais para cada família no programa.
Em números absolutos, o Bolsa Família chega a 209.749 famílias catarinenses, em todos os 295 municípios, com repasse de R$ 141,4 milhões em maio de 2026, segundo o calendário do programa. Joinville é a cidade com mais beneficiários, 14.607, seguida por Florianópolis (13.987), Lages (8.507), Palhoça (8.062) e São José (7.482).
A Bahia está no outro extremo. Em janeiro de 2026, o estado tinha 2,3 milhões de famílias no Bolsa Família, a maior quantidade do Brasil, com repasse de R$ 1,56 bilhão no mês, conforme a Secretaria de Comunicação Social do governo federal. São Paulo vem em seguida, com 2,2 milhões, e Pernambuco em terceiro, com 1,46 milhão. Na proporção de domicílios atendidos, quem lidera é o Maranhão, onde 40% das casas recebiam o benefício no último recorte estadual divulgado pelo IBGE, seguido por Piauí, Paraíba e Pará.

No ranking geral do CLP, a Bahia ficou em 21º lugar entre os 27 estados, com 36,11 pontos numa escala de 0 a 100. Santa Catarina somou 87,06, a maior nota da história do levantamento, e assumiu pela primeira vez a liderança nacional, depois de nove anos seguidos como vice de São Paulo. Além de Capital Humano, o estado é o primeiro em Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social e aparece entre os cinco melhores do país em todos os dez pilares avaliados.
Os dados mais recentes do IBGE reforçam o cenário. Santa Catarina registrou a menor taxa de desemprego do Brasil no primeiro trimestre de 2026, 2,7%, contra 6,1% na média nacional, e o rendimento médio do trabalho subiu de R$ 3.587 para R$ 3.900 entre 2024 e 2025, alta de 8,7%, a quarta maior renda média do país. O estado mantém ainda a menor desigualdade de renda do Brasil em todas as edições do ranking.
O resultado completo, com a posição de cada estado nos 100 indicadores, está disponível no site do Ranking de Competitividade dos Estados. A próxima edição, em 2027, será a primeira em que Santa Catarina terá de defender o topo.
















