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“Não há mais riscos”: Defesa Civil dá ótima notícia aos catarinenses

Com frente fria afastada, estado contabiliza 12 municípios em emergência, mais de 400 casas atingidas em Rio Negrinho, resgates de barco no Meio-Oeste e suspeita de tornado no Planalto Norte

“Não há mais riscos”: Defesa Civil dá ótima notícia aos catarinenses
Foto: Reprodução
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Santa Catarina saiu da faixa de risco meteorológico neste sábado (12), depois de uma sexta-feira (11), que deixou ocorrências em 55 municípios. A conclusão está no monitoramento divulgado pela Defesa Civil do estado às 5h45: com a frente fria já afastada, o dia começou com tempo mais estável, muitas nuvens e apenas registros de chuvisco e chuva fraca de forma isolada, especialmente no Norte catarinense.

O texto assinado pelo meteorologista Pedro Souza é direto ao afirmar que não há risco para ocorrências meteorológicas. Nas primeiras horas do dia, os termômetros marcavam entre 9 e 16 graus nos Planaltos e no Meio-Oeste e oscilavam entre 15 e 19 graus no Oeste e no Litoral.

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Municípios em situação de emergência

O balanço atualizado ao longo do sábado mostra o tamanho do estrago deixado para trás. As ocorrências se espalharam por 16 regionais da Defesa Civil e atingiram 55 municípios, com 12 cidades decretando situação de emergência, conforme registro no Diário Oficial dos Municípios: Canelinha, Canoinhas, Três Barras, Treze Tílias, Lebon Régis, Guatambú, Águas de Chapecó, Joaçaba, Herval d’Oeste, Vargem Bonita, Irineópolis e Luzerna. Entre os impactos listados pelo órgão estão alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, granizo, destelhamentos, queda de pontes e interdição de vias.

O pior cenário está no Planalto Norte. Em Três Barras, a elevação dos rios Negro e Canoinhas atingiu 35 residências e deixou 117 pessoas desabrigadas e 43 desalojadas. A prefeitura abriu três abrigos para receber quem precisou sair de casa. O município também teve estragos de outra natureza: imagens registradas na cidade mostram árvores torcidas e tombadas sobre a BR-280, e a Defesa Civil estadual investiga se um tornado passou por lá.

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O fenômeno não foi confirmado, e a avaliação depende do padrão de destruição no chão, que em tornado fica espalhado em direções cruzadas ao longo de uma faixa estreita, diferente do vendaval comum, que derruba tudo para o mesmo lado.

Ainda em Três Barras, na localidade de São João dos Cavalheiros, às margens da BR-280, a queda de uma árvore de grande porte afetou pelo menos 12 casas. O Corpo de Bombeiros encontrou coberturas parcial ou totalmente destelhadas, estruturas de madeira danificadas, telhas espalhadas pelo terreno e galhos bloqueando o acesso a propriedades. As guarnições instalaram lonas nas edificações para evitar que a chuva agravasse os danos internos. Em uma das ocorrências, um eucalipto de grande porte caiu sobre uma residência e comprometeu a estrutura.

Na mesma região, Irineópolis teve chuva intensa acompanhada de granizo e enxurrada, com danos em 60 residências, 24 pessoas desabrigadas e 89 desalojadas. Canoinhas registrou chuvas intensas com enxurradas e alagamentos, 30 habitações afetadas, 25 pessoas desalojadas e vias momentaneamente interditadas.

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Em Rio Negrinho, o levantamento preliminar do município estima impacto em cerca de 400 residências atingidas por chuva intensa e granizo, o maior número de casas danificadas em um único município no balanço estadual. Porto União precisou deslocar 58 famílias de áreas sujeitas à inundação, com 20 desabrigados, 16 desalojados e nove residências afetadas.

Resgates no Meio-Oeste e alívio no Vale do Itajaí

No Meio-Oeste, Joaçaba concentrou as cenas mais dramáticas do dia. O transbordamento do Rio do Tigre levou o Corpo de Bombeiros a resgatar 26 pessoas, e o município registra 11 desalojados e sete residências afetadas. Imagens feitas por moradores mostraram um carro sendo arrastado pela correnteza, e dois feirantes ficaram mais de uma hora ilhados na Feira Livre, com a água passando de dois metros dentro do prédio, até serem retirados de barco.

Em Herval d’Oeste, vizinha de Joaçaba, os alagamentos atingiram diferentes localidades, com 30 pessoas desabrigadas, 15 desalojadas e 25 residências afetadas. Luzerna, também na mesma área, registrou pontos de alagamento na região central, com 20 desabrigados, 16 desalojados e nove casas danificadas. As três cidades formam um bloco contínuo às margens do Rio do Peixe e decretaram emergência.

Fraiburgo somou 15 pontos de alagamento, três pontos de enxurrada, a queda de uma ponte, 10 vias interditadas e 25 habitações afetadas. Em Lebon Régis, os alagamentos causaram danos em 16 residências.

Na região de Concórdia, Jaborá teve inundação na área central, com três residências atingidas; Ipumirim registrou alagamentos e inundação, com a interdição da ponte central deixando pontos do município isolados; Seara teve inundação na área central; e Presidente Castello Branco registrou deslizamento na SC-468. Em Riqueza houve transbordamento de rios, Guatambú registrou granizo e queda de árvores e Cunhataí teve chuva intensa acompanhada de granizo.

Em Lages, na Serra, o problema foi o vento. A chuva intensa acompanhada de fortes rajadas provocou 28 destelhamentos, além de alagamentos em vias públicas. Cerro Negro, na mesma região, registrou alagamentos em estradas. Danos por granizo também apareceram em Frei Rogério, Vargem, Erval Velho, Lacerdópolis, Itapiranga e Salto Veloso.

No Vale do Rio Tijucas, Canelinha entrou na lista dos decretos por causa de deslizamentos de encostas às margens do Rio Tijucas. É o único município da região com situação de emergência declarada no balanço estadual.

Vale do Itajaí

O Vale do Itajaí, que na noite de sexta concentrou a maior preocupação do estado, escapou do pior. A Defesa Civil de Blumenau descartou a enchente ainda na madrugada, e o Rio Itajaí-Açu parou em 7,86 metros às 5h, 14 centímetros abaixo dos 8 metros que decretam cheia na cidade, antes de recuar para 7,73 metros às 8h. O boletim estadual registra que o município teve elevação do nível do rio, mas sem desabrigados, desalojados ou residências afetadas.

Na região, Brusque e Gaspar tiveram alagamentos pontuais e deslizamentos, Ibirama registrou alagamentos em vias públicas e deslizamentos de terra, Botuverá precisou interditar pontes, Massaranduba teve vias fechadas e aulas da rede estadual suspensas, e Salete ficou com a SC-114 interditada na localidade de São Luiz.

Tudo isso é herança de um ciclone extratropical que se formou no litoral do país na sexta-feira e intensificou a instabilidade sobre o estado. O sistema favoreceu a formação de temporais em todas as regiões catarinenses, com chuva intensa, rajadas de vento, descargas elétricas e queda de granizo. No Norte, houve registro de granizo severo, com imagens compartilhadas por moradores de Mafra e Joinville.

No Oeste e no Meio-Oeste, municípios como Erval Velho, Piratuba, São Carlos e Chapecó tiveram chuva com granizo, e em Itapiranga o fenômeno atingiu principalmente comunidades do interior. Em Chapecó, o diretor municipal de Proteção e Defesa Civil, Walter Parizotto, registrou cerca de 40 milímetros de chuva em apenas uma hora na manhã de sexta.

Volume de chuva e mar agitado no Litoral

Os acumulados explicam o tamanho do estrago. No Oeste, no Meio-Oeste e no Vale do Itajaí, a chuva passou de 100 milímetros em 24 horas. A média histórica para todo o mês de setembro nessas regiões fica em torno de 150 milímetros, ou seja, choveu em um único dia mais de dois terços do esperado para setembro inteiro. Nas demais regiões catarinenses, os acumulados ficaram entre 30 e 60 milímetros. Na Capital, as aulas da rede municipal foram canceladas no período vespertino por causa da chuva.

O mesmo sistema produziu um tornado confirmado no Paraná, em Goioerê, no noroeste do estado vizinho. Segundo o Simepar, o fenômeno se formou a partir de uma supercélula de tempestade durante a passagem da frente fria e foi o 13º tornado registrado em território paranaense desde o início de 2026.

A previsão para o restante do fim de semana mantém o tom de alívio. Com o avanço de uma massa de ar mais fria e seca, o tempo segue predominantemente nublado, com chuvas ocasionais e concentradas no Norte do estado, e redução significativa das condições para novos temporais.

As temperaturas caem, e a Epagri/Ciram projeta mínimas de até 5,9 graus. Para o domingo, o Inmet mantém alerta amarelo de perigo potencial, com possibilidade de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, ventos de 40 a 60 quilômetros por hora e queda de granizo, mas com risco classificado como baixo para corte de energia, danos em plantações, queda de galhos e alagamentos.

A ressalva deste sábado fica para o litoral. O Inmet mantém um aviso de perigo potencial para ventos costeiros que alcança 80 municípios de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com validade até a meia-noite, e que inclui Grande Florianópolis, Norte Catarinense, Sul Catarinense e Vale do Itajaí. O risco apontado é de movimentação de dunas de areia sobre construções na orla. O mar segue agitado, com ondas de sul e sudeste entre 2 e 2,5 metros. Nas primeiras horas do dia já houve registro de alagamentos costeiros em áreas suscetíveis de Florianópolis, por causa da elevação da maré.

A Defesa Civil de Santa Catarina permanece em monitoramento e atuação conjunta com as coordenadorias regionais e as defesas civis municipais, acompanhando a evolução das condições meteorológicas e os impactos provocados pelas chuvas. Ocorrências devem ser comunicadas pelo 199, da Defesa Civil, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros.

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