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Temporal atinge 31 cidades de SC, seis decretam emergência e Três Barras tem 117 desabrigados

Águas de Chapecó, Canelinha, Guatambu, Joaçaba, Luzerna e Vargem Bonita decretaram situação de emergência nesta sexta-feira (11). Um ciclone extratropical mantém o risco de temporais durante a noite, e a Defesa Civil prevê alívio gradual a partir do fim de semana.

Bombeiros em bote inflável em rua tomada pela água durante resgate em Joaçaba
Foto: Reprodução
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Os temporais que atingiram Santa Catarina nesta sexta-feira (11) deixaram um rastro de estragos em 31 municípios e levaram seis cidades a decretar situação de emergência: Águas de Chapecó, Canelinha, Guatambu, Joaçaba, Luzerna e Vargem Bonita. O balanço é da Defesa Civil de Santa Catarina e inclui alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, queda de granizo e de árvores e danos em residências, veículos, estradas, pontes e estruturas públicas.

O pior balanço até agora é o de Três Barras, no Planalto Norte. A chuva afetou 35 residências e deixou 117 pessoas desabrigadas e 43 desalojadas, e o município abriu três abrigos para atender quem precisou sair de casa. Em Irineópolis, na mesma região, três residências foram atingidas depois que o Rio Iguaçu subiu e provocou enxurrada.

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No Meio-Oeste, Joaçaba concentrou algumas das cenas mais graves do dia. Imagens feitas por moradores mostram um carro sendo arrastado pela correnteza em uma área tomada pela água. Na Feira Livre, dois feirantes ficaram mais de uma hora ilhados com a água do Rio do Tigre passando de dois metros dentro do prédio e precisaram ser resgatados de barco pelo Corpo de Bombeiros. Ao longo da tarde, a Defesa Civil do município já somava mais de 25 atendimentos ligados à chuva, entre alagamentos, pequenos deslizamentos e a elevação dos rios do Tigre e Antinha. Luzerna e Vargem Bonita, vizinhas de Joaçaba, também decretaram emergência.

Correnteza arrasta carro em Joaçaba, uma das seis cidades em situação de emergência

Em Jaborá, a inundação tomou a área central e atingiu três residências. Em Ipumirim, a ponte central foi interditada e pontos do município ficaram isolados. Marema registrou deslizamento com danos em veículos e em uma residência, Abelardo Luz teve alagamento e inundação em cinco casas e a SC-156 chegou a ser interditada em Lajeado Grande.

Vista aérea da área central de Jaborá tomada pela água
Área central de Jaborá tomada pela água. Foto: Coordenadoria Regional da Defesa Civil de Jaborá

Também houve alagamentos, enxurradas, queda de muro, granizo, queda de árvores e danos em estruturas públicas em municípios do Meio-Oeste, do Planalto Sul, do Vale do Itajaí e do Grande Oeste. Em Chapecó, choveu 46 milímetros, cerca de 40 deles em menos de uma hora, e a água invadiu casas no bairro São Pedro, onde uma idosa se recusou a deixar o imóvel mesmo com a estrutura inclinada. Registros feitos durante a tempestade mostram pedras de granizo graúdas.

Pedras de granizo graúdas nas mãos de uma pessoa
Granizo foi registrado em municípios de quatro regiões do estado

A situação dos rios também exige atenção no Planalto Norte. Na região de divisa com o Paraná, a chuva vem contribuindo para uma nova elevação do Rio Negro, e a previsão hidrológica indica tendência de subida gradual nos próximos dias, com possibilidade de atingir cotas de emergência. A elevação do Rio Negro também pode dificultar o escoamento dos afluentes, o que favorece o aumento dos níveis e a ocorrência de alagamentos e inundações nas áreas próximas.

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Imagens de drone mostram a área central de Jaborá tomada pela água

A noite desta sexta ainda tem condições para temporais em todas as regiões do estado, associados à formação de um ciclone extratropical no oceano, entre o litoral catarinense e o Rio Grande do Sul. Há possibilidade de raios, vendaval, queda de granizo e chuva intensa, inclusive de forma localizada, o que mantém o risco de novos alagamentos, enxurradas pontuais, destelhamentos, danos na rede elétrica e queda de galhos e árvores. Mais cedo, a Defesa Civil já havia colocado praticamente todo o território catarinense em alerta vermelho, o nível máximo de risco, e em Abelardo Luz um piloto de drone flagrou uma shelf cloud gigantesca avançando sobre as lavouras.

Shelf cloud avança sobre lavouras em Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina
Shelf cloud avança sobre as lavouras de Abelardo Luz, no Oeste, na tarde desta sexta. Foto: Edi Rissi

Segundo a meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil de Santa Catarina, a tendência é de redução gradual das instabilidades a partir do fim de semana, mas isso não significa tempo firme em todo o estado.

“A noite de sexta-feira ainda exige atenção porque as instabilidades estão bastante presentes e podem provocar temporais de forma localizada em Santa Catarina. A previsão é de que esse cenário perca força gradualmente ao longo do fim de semana. Ainda assim, não significa que teremos tempo firme em todo o estado: o Norte pode ter chuva, e a circulação marítima deve manter maior nebulosidade e possibilidade de chuva ocasional no litoral nos próximos dias. Por isso, a recomendação é continuar acompanhando as informações oficiais, principalmente nas áreas que registraram chuva intensa.”

Nicolle Reis, meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina

Alívio gradual a partir do fim de semana

No sábado (12), as instabilidades devem diminuir, embora no Norte catarinense ainda haja chance de chuva, enquanto as demais regiões podem ter períodos de nebulosidade intercalados com aberturas de sol. No domingo (13), os modelos indicam condições mais estáveis na maior parte do estado, mas a circulação marítima pode favorecer chuva fraca ou ocasional no Norte. A semana começa com possibilidade de períodos nublados e chuva ocasional no litoral, com alternância entre nebulosidade e aberturas de sol nas demais regiões.

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Mapa de Santa Catarina com as seis cidades em situação de emergência: Águas de Chapecó, Guatambu, Vargem Bonita, Luzerna, Joaçaba e Canelinha
As seis cidades que decretaram situação de emergência nesta sexta. Arte: Jornal Razão

O que a Defesa Civil orienta

Mesmo com a tendência de melhora, a Defesa Civil reforça que a população deve seguir atenta, principalmente nas áreas que já registraram chuva intensa e nas proximidades de rios em elevação. Durante temporais e ventos fortes, a orientação é buscar abrigo em local seguro, longe de janelas e de objetos que possam ser arremessados pelo vento, e evitar a proximidade de árvores, placas, postes e outras estruturas que possam cair.

Em situações de chuva intensa e alagamentos, a recomendação é nunca atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos, a pé ou de veículo, porque a força da água pode arrastar pessoas e carros e esconder obstáculos. Nas áreas de encosta, é preciso observar sinais como trincas no solo, em muros e paredes, inclinação de postes e árvores ou água vertendo do barranco. Ao identificar qualquer alteração, a orientação é deixar o local e procurar um lugar seguro.

O balanço estadual segue em atualização e, em parte das localidades, as equipes ainda estão em campo para avaliar os danos. O Jornal Razão acompanha a situação.

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