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“Meu Deus, foi a ponte!”: enxurrada provoca destruição e preocupa moradores no Vale do Itajaí

Ponte da localidade do Bracinho, em Apiúna, foi levada pela correnteza e deixou moradores ilhados. Ibirama, Dona Emma e Presidente Getúlio também registram alagamentos e bloqueios.

“Meu Deus, foi a ponte!”: enxurrada provoca destruição e preocupa moradores no Vale do Itajaí
Foto: Reprodução
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A ponte que dá acesso à localidade do Bracinho, no interior de Apiúna, foi levada pela correnteza durante a chuva forte que atinge o Vale do Itajaí nesta sexta-feira (11). A informação foi confirmada pela prefeitura, e moradores da comunidade ficaram ilhados.

O momento em que a estrutura cede foi registrado em vídeo por moradores. Nas imagens, dá para ouvir o desespero de quem assiste à travessia sumir na água. “Meu Deus do céu, foi a ponte, olha lá”, grita uma moradora. “Foi lá para baixo do rio. Minha Nossa Senhora, acabou tudo ali.”

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Ainda no registro, a mesma moradora avisa que a água começava a avançar na direção das casas e pede que um dos familiares tire o carro do caminho. “Jesus amado, está levando tudo”, diz, enquanto a enxurrada arrasta o que encontra pela frente.

Enxurrada e alagamentos no Alto Vale do Itajaí nesta sexta-feira. Reprodução/Redes sociais

Depois da passagem da água, o ponto onde ficava a ponte aparece tomado por água barrenta, com troncos e restos de madeira espalhados às margens. O leito virou um canal largo, correndo sobre o que sobrou da estrada de acesso. Sem a travessia, as famílias que vivem além daquele ponto ficam sem saída pela rota principal.

Apiúna tem cerca de 11 mil habitantes e fica no Médio Vale do Itajaí, entre Indaial e Ibirama. É cortada pela BR-470 e pelo rio Itajaí-Açu, abriga a usina hidrelétrica Salto Pilão e concentra boa parte da população em comunidades rurais espalhadas por morros e vales, o que torna as estradas de chão e as pequenas pontes o único acesso de muita gente.

No próprio município, a ponte não foi o único estrago. Na localidade de Santo Antônio, uma queda de barreira deixou o trânsito completamente trancado. Na subida da cidade, a água tomou a pista sob o viaduto da linha férrea, com veículos atravessando em meio à enxurrada. E no km 105 da BR-470, na localidade de São Pedro, um forte volume de água passou a correr sobre o asfalto, com moradores cobrando providências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para melhorar o escoamento.

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Em Ibirama, no Alto Vale, a BR-470 foi bloqueada no km 115 pela queda de uma árvore de grande porte sobre a pista, que ficou coberta de galhos, folhas e terra. No perímetro urbano, ruas inteiras ficaram alagadas, com a água cobrindo calçadas e chegando à altura dos muros de casas e prédios comerciais. Com cerca de 19 mil habitantes, o município fica às margens do Itajaí-Açu e é um dos mais expostos do Alto Vale a cheias e deslizamentos, por causa do relevo fechado e da ocupação junto ao rio.

O acesso a Dona Emma também travou. Motoristas que subiam em direção ao município encontraram a pista tomada pela água, sem condição de passagem. Dona Emma é uma cidade pequena, de pouco mais de 3 mil habitantes, ligada à economia rural e às plantações de fumo e arroz, e depende de poucas vias para se conectar ao restante do Alto Vale.

Em Presidente Getúlio, vizinha de Ibirama e Dona Emma, moradores também registraram pontos de alagamento. O município, de cerca de 16 mil habitantes, é conhecido pela indústria de móveis e pelo trabalho com madeira, e já foi duramente atingido por eventos climáticos extremos, como o tornado de 2020.

O cenário se repete longe do Vale. Em Luzerna, no Meio-Oeste, um grande volume de água atingiu a Linha Grafunda, arrastando pedras e material para a pista. O município é pequeno, de colonização italiana, fica às margens do rio do Peixe e foi emancipado de Joaçaba nos anos 1990.

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A instabilidade era esperada. Santa Catarina pode acumular entre 40 e 80 milímetros de chuva nesta sexta-feira, em um dia marcado pela passagem de uma frente fria e pela formação de um ciclone extratropical próximo à costa da Região Sul. A Defesa Civil do estado emitiu alertas desde as primeiras horas da manhã, com aviso de temporais, raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos.

A orientação dos órgãos de proteção e defesa civil é não atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos, mesmo quando a água parece rasa, porque a correnteza pode derrubar pessoas e arrastar veículos. Em caso de emergência, os telefones são 193, do Corpo de Bombeiros, e 199, da Defesa Civil.

Com a previsão de que a instabilidade siga ao longo do dia, o risco é de novos deslizamentos e de elevação dos rios da bacia do Itajaí, o que pode ampliar o número de comunidades isoladas no interior dos municípios.

A reportagem está em atualização.

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