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“Deus não pode ser produto eleitoral”, diz âncora após Lula falar por cima dela e insistir em fake news contra Flávio

Âncora da Band usou a BandNews FM para responder à repercussão do Canal Livre, em que corrigiu o presidente ao vivo sobre o boato de Nossa Senhora Aparecida

"Deus não pode ser produto eleitoral", dispara âncora após Lula falar por cima dela e insistir em fake news contra Flávio
Foto: Reprodução
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“Deus não pode ser produto eleitoral.” A frase é da jornalista Adriana Araújo, âncora da Band, que usou o microfone da BandNews FM nesta segunda-feira (28) para responder à repercussão da entrevista do presidente Lula (PT) ao Canal Livre. No programa, exibido no domingo (27), ela avisou ao vivo que a história sobre Nossa Senhora Aparecida levantada pelo petista contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) era fake news. Lula não recuou, falou por cima da jornalista e insistiu: “Eu não sei se foi fake news”.

“Assessor de imprensa tenta vender uma narrativa. Jornalista é outra coisa”, disse Adriana no Entre Nós, programa que apresenta com Umberto Ferretti. “Jornalista é a pessoa que busca o fato e que combate fake news.”

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O que aconteceu no Canal Livre

Foi o próprio Lula quem puxou o assunto durante a sabatina. “Eu não sei o que vocês vão perguntar, mas esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Não é aceitável. Não dá”, afirmou o presidente, candidato à reeleição.

Adriana cortou: “Mas foi uma fake news, né, presidente?”. Lula respondeu que não sabia se era, e a jornalista explicou que a informação se referia a um projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008. Enquanto ela falava, o presidente passou a falar por cima, repetindo “o dado concreto, o dado concreto é o seguinte”, até concluir: “O dado concreto é que isso tá na rede social. Muito forte”.

Lula durante a entrevista ao Canal Livre, da Band (Reprodução/Band)

O boato começou a circular nas redes em 23 de setembro e dizia que Flávio, adversário de Lula na eleição, tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil se fosse eleito. No dia seguinte, o senador negou e atribuiu as postagens à “milícia do PT”. O projeto antigo citado pela jornalista foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Victório Galli (PMDB-MT) e propunha trocar, na lei, “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Não tem relação com Flávio.

O trecho da entrevista viralizou, e a forma como Lula reagiu à correção ao vivo virou alvo de críticas nas redes.

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“Chamada de bolsonarista”

Na BandNews FM, Adriana disse que refletiu sobre o que falaria aos ouvintes “depois dessa polêmica tão grande e da grande repercussão da entrevista do presidente Lula ao Canal Livre”. Ela comparou o trabalho do jornalista ao do assessor de imprensa, que, nas palavras dela, é “um profissional contratado pra divulgar a versão de quem o contrata, da empresa, do candidato, do político”.

“Jornalista é a pessoa que faz as perguntas necessárias. Às vezes, a pergunta é mais importante do que a resposta”, afirmou. Segundo ela, o jornalista não tem como obrigar o entrevistado a dar a resposta que considera mais adequada.

Adriana lembrou os 32 anos de televisão, os debates que mediou e as sabatinas com candidatos. “E nos últimos tempos, entrevistar o presidente Lula e ser chamada de bolsonarista”, contou. “Então, quando isso acontece, significa que estão me chamando de jornalista, a pessoa que faz as perguntas necessárias.”

“Deus não pode ser produto eleitoral”

A âncora também falou sobre o uso da religião na campanha, pano de fundo de toda a polêmica. “O que eu, Adriana, acho que tem que valer é que Deus não seja um produto. E Deus já foi muito usado”, disse. “Deus não pode ser produto eleitoral.”

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O primeiro turno das eleições acontece no próximo domingo (4). Adriana afirmou que o papel dela é “continuar sendo jornalista, fazendo as perguntas necessárias”.

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