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Eleições 2026

Inusitado: Carlos Bolsonaro contrata G P S por R$ 150 mil para disputa ao Senado por SC

Alvo de adversários por não ser catarinense, candidato do PL pagou com dinheiro do fundão uma consultoria de Concórdia para organizar reuniões, passeatas e carreatas pelo estado

Prestação de contas de Carlos Bolsonaro com a G P S Consultoria, Projetos e Obras destacada entre os fornecedores da campanha
Foto: Reprodução
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Desde que transferiu o título eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) ouve dos adversários que não conhece o estado que quer representar no Senado. Pois a campanha dele resolveu o problema do jeito mais literal possível: contratou uma GPS. A G P S Consultoria, Projetos e Obras Ltda, de Concórdia, no Oeste catarinense, recebeu R$ 150 mil para organizar eventos, reuniões, passeatas e carreatas nos municípios de Santa Catarina.

A coincidência tem história. As campanhas de Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB), que disputam a mesma vaga, ironizam Carlos dizendo que “não precisam de GPS para andar em Santa Catarina”. A provocação mira o fato de ele ser carioca, ter feito toda a carreira política como vereador no Rio de Janeiro e só ter transferido o título eleitoral para São José no fim de 2025. Em julho, em entrevista ao Jornal Razão, Lunelli disse que Amin “não precisa de GPS para andar em Santa Catarina” e “sabe cada pedra onde está”. Nos bastidores, confirmou que o recado era para Carlos, que já tinha rebatido em vídeo a crítica de que não seria catarinense.

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O contrato está na prestação de contas parcial que a campanha entregou à Justiça Eleitoral. A nota fiscal, de número 28, foi emitida em 26 de agosto, um dia depois de o candidato receber o primeiro repasse do fundo eleitoral, e foi paga em 28 de agosto. A despesa entrou na rubrica “eventos de promoção da candidatura” e é, até agora, o único gasto da campanha nessa categoria. Ou seja: é a GPS que monta o roteiro dos atos de rua de Carlos pelo estado.

O dinheiro vem todo do fundão. Carlos recebeu R$ 4,3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em dois repasses de R$ 2,15 milhões da direção nacional do PL, em 25 de agosto e 17 de setembro. Não há doação de pessoa física nem recurso próprio declarado. Com esse valor, ele é o quarto que mais arrecadou entre os 655 candidatos de Santa Catarina com movimentação financeira.

Até a última entrega ao TSE, a campanha havia comprometido R$ 2,95 milhões em 19 despesas. A maior fatia foi para produção de rádio, TV e vídeo: R$ 1 milhão para a Ventura Estúdio e R$ 500 mil para cada uma das agências Forma Consultoria em Marketing e Reditus Comunicação. Adesivos, santinhos e folhetos impressos na gráfica Exact, de Saquarema, no Rio de Janeiro, somam outros R$ 605,4 mil. Os R$ 150 mil da GPS representam 5,1% do total contratado.

Apesar do nome, a GPS não é empresa de navegação. Aberta em maio de 2005, funciona numa sala comercial na Rua Doutor Maruri, no Centro de Concórdia, e usa o nome fantasia GPS Certificação Digital. É registrada como empresa de pequeno porte, com capital social de R$ 50 mil. No cadastro da Receita Federal, a atividade principal é consultoria em gestão empresarial, e as secundárias incluem serviços de engenharia, perícia técnica em segurança do trabalho, consultoria em tecnologia da informação, agência e consultoria de publicidade e produção de filmes publicitários. Organização de eventos não está entre as atividades registradas.

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O sócio-administrador é Aldocir Onetta, no quadro da empresa desde 2009. Desde setembro de 2025, a GPS tem um segundo sócio, Jonathan Riva. Antes da campanha, a empresa já havia prestado serviços a prefeituras do Oeste catarinense, como a de Ipira.

A ligação da GPS com o PL, porém, vem de antes. Nos dados abertos da Câmara dos Deputados, a empresa aparece como fornecedora do gabinete do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) desde fevereiro de 2023, primeiro mês do mandato dele. Foram 39 notas fiscais pagas com a cota parlamentar, todas classificadas como “divulgação da atividade parlamentar”, que somam R$ 384 mil. Os pagamentos começaram em R$ 3,5 mil por mês e chegaram a R$ 17 mil em junho de 2026.

Em uma das notas, de dezembro de 2023, no valor de R$ 6,5 mil, a empresa descreve o serviço como produção de cards, artes e vídeos para os perfis do deputado no Instagram, no X, no Facebook e no TikTok. O documento, emitido pela Prefeitura de Concórdia e publicado no portal da Câmara, traz a observação de que a nota foi quitada com pagamento em espécie.

Delegado de polícia, Bilynskyj está no primeiro mandato, preside a Comissão de Segurança Pública da Câmara desde 2025 e é um dos aliados mais próximos da família Bolsonaro: em dezembro de 2025, foi ele quem leu, em vídeo, a carta em que Jair Bolsonaro indicou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Além do gabinete dele, a única outra passagem da GPS pela cota parlamentar desde 2023 foi um pagamento de R$ 18 mil do deputado catarinense Celso Maldaner (MDB), em janeiro de 2023. Na eleição catarinense deste ano, Carlos é o único candidato que declarou contrato com a empresa.

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A legislação eleitoral permite contratar empresas para organizar eventos de campanha, desde que a despesa seja declarada com fornecedor, valor e nota fiscal, o que a campanha fez. Os relatórios entregues durante a disputa são parciais, e a prestação de contas final só é julgada depois da eleição, marcada para 4 de outubro.

O espaço segue aberto para manifestação da campanha de Carlos Bolsonaro e da GPS.

Leia também: Candidato ao Senado por SC, Carlos Bolsonaro contrata gráfica do RJ para imprimir material de campanha

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