O deputado estadual Fernando Krelling (MDB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta quinta-feira (29), para defender o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo Krelling, Tarcísio foi atacado por ter cumprimentado o presidente Lula depois de um debate. “Olha o absurdo”, disse o deputado.
A fala foi no espaço de Breves Comunicações da sessão ordinária, transmitida pela TV Alesc. Krelling, que é vice-presidente da Casa, disse ter “um carinho muito grande pela forma de pensar e pela forma de agir” de Tarcísio e chamou o governador de “uma pessoa que eu me espelho”. Ele ponderou que faltam quatro anos para a próxima eleição, mas afirmou que, se Tarcísio mantiver os princípios que tem hoje, vai defendê-lo “com unhas e dentes”.
O deputado também citou uma entrevista de Tarcísio depois de um debate com Haddad. Segundo Krelling, o governador disse que os dois têm “diferenças grandes no campo das ideias”, mas que isso não o obrigava a “odiá-lo ou ser inimigo dele”. “E pessoas criticaram ele por falar isso. Realmente, eu não sei onde a gente quer chegar”, afirmou.
Antes de falar de Tarcísio, Krelling abriu o discurso dizendo que a fala poderia fazer com que ele perdesse votos, mas que não poderia trair a própria consciência. O deputado disse concordar com quem teve dúvidas sobre a condução da eleição. Em seguida, criticou mensagens em grupos de WhatsApp que pedem para a população deixar de comprar em comércios de quem votou em outro partido.

Krelling contou que votou no 22 nos dois turnos, mas lembrou que, em Santa Catarina, 30% da população pensou diferente dele. “Teríamos aí um movimento de 30% não frequentar os comércios que votaram na direita? Realmente é um absurdo”, disse.
O deputado falou ainda da morte do pai, em 2024, depois de 57 dias internado numa UTI. Krelling disse que a família nunca perguntou ao médico se ele era de direita ou de esquerda. “Eu queria só que ele tivesse empatia com meu pai”, afirmou. Na sequência, disse que pessoas que “nem votaram na esquerda” estão sendo colocadas em listas e acusadas, e completou: “Eu nunca votei no PT na minha vida”.
Em aparte, o deputado Neodi Saretta (PT) parabenizou Krelling e comparou as listas com práticas do nazismo. Saretta pediu que o Ministério Público, o Tribunal Regional Eleitoral e a polícia apurem quem está fomentando e divulgando esse tipo de lista.
Krelling fechou a fala com um recado ao próprio campo político. Disse que quem quiser criticá-lo ou xingá-lo tem liberdade para isso, mas que o respeito vem em primeiro lugar. “Inclusive nós, do lado direito, nos organizarmos mais, porque a prepotência e a arrogância, a humilhação, muitas vezes é a chave do fracasso”, afirmou.
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